Loja do Fluminense no Shopping Tijuca será fechadaReprodução / Redes Sociais
Publicado 05/03/2026 12:18 | Atualizado 05/03/2026 13:39
Rio - A loja do Fluminense no Shopping Tijuca, na Zona Norte, será fechada devido aos prejuízos causados pelo incêndio no centro comercial, ocorrido no início de janeiro, que causou a morte de duas pessoas. De acordo com o gestor do estabelecimento, cerca de R$ 700 mil em produtos e em mobília foram perdidos.
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A unidade fica localizada no subsolo, exatamente onde as chamas começaram. O perfil da loja no Instagram divulgou imagens do estabelecimento danificado com fuligem no chão e em mercadorias. Segundo os posts, algumas camisas ficaram intactas, outras puderam ser recuperadas, mas também há as que não resistiram aos danos.
Ao DIA, o administrador Rodrigo Belluco, de 55 anos, conta que o local não tem seguro. Para ele, a direção do shopping poderia auxiliá-lo com o prejuízo, mas agiu sem se importar com os comerciantes.
"Sempre respostas evasivas. Se a gente não ligasse e corresse atrás, era como se nada tivesse acontecido. Simplesmente falaram que o seguro não ia cobrir e que lamentavam muito. São cinco a seis anos com loja ali. Em dias de jogos no Maracanã, era um ponto de encontro da torcida. Eram dias que eu mais vendia. A torcida se encontrava e tinha um clima de família. Está sendo como perder um ente querido. É perder um sonho, o meu ganha-pão e meio de sustento. Para eles [administração] é um prejuízo grande. Para nós é uma vida. Encontramos um cenário de devastação", destaca.
Rodrigo comenta que, mesmo após dois meses do incêndio, ainda é possível sentir cheiro de fumaça. O subsolo segue interditado.
"Eu não me sinto seguro dentro do shopping. Já entrei lá umas cinco vezes. Tem muita ferragem para escorar o subsolo, o cheiro é insuportável, você não consegue ficar meia hora lá, embora tenha gente trabalhando e respirando um ar insalubre. Onde você encosta sai imundo de sujeira", conta.
Belluco ressalta que os funcionários da loja sentiram cheiro de queimado dias antes do incêndio acontecer. As chamas começaram na Bell'Art, que vende artigos de decoração, no dia 2 de janeiro. Ele não descarta entrar com uma ação na Justiça contra o centro comercial.
"Eles foram negligentes, pois os meus funcionários falaram que já sentiam cheiro de queimado havia alguns dias. Eu não queria sair do shopping, é um ponto de venda bom, ponto central da Tijuca, mas eu não tenho como reformar a loja para eles", afirma.
Nas redes sociais, a loja anunciou, na última terça-feira (3), que haverá uma liquidação com os produtos atingidos. Apesar de sair do Shopping Tijuca, o objetivo é continuar no bairro em um outro ponto.
"Estamos lavando e recuperando cada peça possível. Muito foi perdido, mas muita coisa também foi salva. E cada item carrega uma história de resistência. Mas se há algo que esse momento nos ensinou é que a Tijuca sempre vence! E o tricolor luta até o fim! Agora, seguimos confiando na Justiça para que, ao menos, parte do prejuízo e da dor sejam reparados", diz o comunicado.
Procurado, o Shopping Tijuca informou que está a disposição para o diálogo com o lojista em questão, como vem fazendo desde o incidente, e esclareceu que, durante as obras no subsolo, é natural que ainda haja algum incômodo a clientes e lojistas. "No entanto, todos os esforços possíveis estão sendo feitos para minimizá-lo", afirma em nota.
Inquérito concluído
A 19ª DP (Tijuca) concluiu, no dia 26 de fevereiro, o inquérito sobre o incêndio no Shopping Tijuca. Cinco pessoas foram indiciadas. Segundo os investigadores, houve falhas de gestão, demora na comunicação para o Corpo de Bombeiros e erros nos protocolos de segurança. Ao todo, 38 pessoas prestaram depoimento.
Adriana Santilhana Nietupski e Pedro Paulo Alvares, superintendente e gerente de operações do shopping respectivamente, responderão por incêndio doloso qualificado pela morte, lesão corporal culposa, crime de perigo para a vida ou saúde de terceiros e fraude processual.
Renata Barcelos Pereira Noronha, gerente de negócios do centro comercial, responderá pelos mesmos delitos, exceto fraude processual.
Além deles, Fabio Arruda Soares e Felipe Gonçalves Franciscone, funcionários da loja Bell'Art, onde o fogo começou, foram indiciados por incêndio doloso e lesão corporal.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontaram uma sucessão de falhas que contribuíram para a morte da bombeira civil Emellyn Silva Aguiar Menezes e do supervisor de segurança Anderson Aguiar. Os depoimentos e laudos evidenciaram problemas na comunicação após o início das chamas, ausência de alarmes eficazes, evacuação desorganizada, treinamento insuficiente e demora na transmissão de informações precisas sobre o incêndio.
Também foi constatado que a loja não possuía alvará do Corpo de Bombeiros e que o shopping não dispunha de sistema de exaustão adequado para o controle da fumaça. Houve ainda atraso no acionamento da corporação. "O botão de pânico foi pressionado às 18h04, o chamado aos Bombeiros ocorreu apenas às 18h27 e, de forma célere, as equipes chegaram às 18h40", informou a delegacia
O laudo técnico concluiu que o incêndio teve origem elétrica previsível, em ambiente inadequado do ponto de vista técnico, sendo agravado por falhas estruturais e de segurança. O documento destacou instalações elétricas em desacordo com normas técnicas, elevada carga de incêndio - inclusive em áreas técnicas - falhas de compartimentação, atuação insuficiente dos sistemas de combate e ausência de controle eficiente de fumaça. Segundo os peritos, esses fatores contribuíram diretamente para a magnitude e a rápida propagação das chamas.
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