Julgamento dos três réus começou nesta quinta-feira (5)Brunno Dantas / Divulgação TJRJ
Publicado 06/03/2026 08:13 | Atualizado 06/03/2026 08:14
Rio - O advogado Rodrigo Marinho Crespo, assassinado no Centro do Rio em fevereiro de 2024, queria abrir um estabelecimento para clientes assistirem eventos esportivos e realizarem apostas online. De acordo com o delegado Rômulo Assis, que investigou o homicídio, o interesse da vítima em investir em negócios ligados ao setor pode ter motivado a execução. O júri popular dos três réus pelo crime começou nesta quinta-feira (5) e retornará, às 9h, nesta sexta-feira (6).
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Ao ser questionado sobre a motivação do crime no primeiro dia de julgamento, o delegado, agora titular da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), disse que nada foi encontrado no celular de Rodrigo indicando que ele estivesse sofrendo ameaças ou temesse pela própria vida. Segundo ele, o advogado aparentava estar bem no plano pessoal e profissional, embora demonstrasse insatisfação com o escritório em que trabalhava.
A principal linha investigativa, segundo Rômulo, passou a considerar o interesse de Crespo em investir em negócios ligados ao setor de apostas. Assis informou que a vítima estudava a regulamentação das "bets" e teria manifestado interesse em abrir um estabelecimento conhecido como "Sporting Bar", um espaço onde clientes poderiam assistir a eventos esportivos e realizar apostas, além de utilizar máquinas eletrônicas semelhantes a caça-níqueis conectadas à internet.
De acordo com as investigações, Crespo chegou a discutir a possibilidade de instalar esse tipo de negócio na região de Botafogo, na Zona Sul.
Carro alugado
O delegado explicou que, durante as investigações, conseguiu identificar dois veículos envolvidos no crime. Por meio deles, chegou à locadora de veículos onde foram alugados e que a empresa já locava carros para uma organização criminosa sediada em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, da qual posteriormente se comprovou que os três réus faziam parte. Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Môndego de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes respondem por homicídio qualificado.
A partir da análise dos documentos apreendidos na empresa e demais informações apuradas, foi possível chegar aos nomes de Eduardo e Leandro, que alugavam veículos do local. Um áudio ajudou a esclarecer a participação de Cezar. O material indicaria que, dois dias antes do assassinato, ele esteve com um dos investigados, informação que posteriormente auxiliou na confirmação de seu envolvimento no caso.
Assis também compartilhou que as investigações apontaram que Rodrigo já vinha sendo monitorado pelos autores e lembrou que surgiram informações sobre conexões do caso com integrantes da contravenção no estado.
Rômulo ressaltou que as investigações sobre a autoria intelectual do crime continuam em andamento.
Quem também prestou depoimento nesta quinta-feira (5), foi Raylinne Flavia de Paula Nicodemo, funcionária da locadora Horizonte 16, onde foram alugados os veículos utilizados no monitoramento da vítima. Ela disse que os carros foram alugados presencialmente pelo aposentado João Bosco de Oliveira. Em sessão realizada em setembro de 2024, o homem afirmou que recebeu R$ 500 para retirar o veículo da locadora e que não conhecia os réus.
Parentes são ouvidos
Ainda nesta quinta, foram ouvidos Isadora Strapazzon, que vivia em união estável com a vítima havia cerca de quatro anos, e Pedro Henrique Crespo, sobrinho de Rodrigo, que estava com ele na hora da execução.
Isadora afirmou que o advogado pretendia sair do escritório em que trabalhava por insatisfação com o sócio, Antônio Vanderler de Lima Júnior, mas destacou que não sabia de detalhes. Ela disse que a vítima pretendia trabalhar com legalização de bets e que tinha a intenção de se mudar para São Paulo, onde acreditava ter mais oportunidades de trabalho. A testemunha foi ouvida durante cerca de quinze minutos por videoconferência.
Já Pedro Henrique contou que trabalhava com o tio desde 2015 e que, no dia da morte, saíram do escritório para fazer um lanche na rua por volta de 17h15. "Tudo muito rápido. Parou um carro branco e, de repente, ouvi disparos. Agachei e só me levantei quando os barulhos cessaram. Um tiro passou raspando em meu ombro", lembrou.

A testemunha também disse que o tio, que era advogado cível, trabalhista e empresarial, pretendia se tornar especialista na área de regulamentação de jogos de apostas online. No entanto, ele afirmou desconhecer se Rodrigo pretendia investir no negócio.
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