Delegado Geraldo Almeida, da Polícia Federal, fala sobre a terceira fase da ’Operação Anomalia’Carlos Elias / Agência O Dia
Publicado 11/03/2026 20:07
Rio - Sete policiais militares foram presos, na manhã desta quarta-feira (11), suspeitos de integrar um grupo que beneficiava criminosos violentos do estado, na terceira fase da “Operação Anomalia”, da Polícia Federal. Em coletiva de imprensa, na Superintendência Regional da PF, no Centro, delegados explicaram que a investigação segue diretrizes do Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635.
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“Temos uma força-tarefa especializada e dedicada a essas investigações. As operações que tivemos essa semana tiveram o objetivo de descortinar os envolvimentos de agentes públicos e políticos com as facções criminosas do Rio de Janeiro. Hoje, a ‘Operação Anomalia III’ teve a incumbência de desmembrar esse núcleo de policiais militares que tinham atribuição de prestar serviço de segurança e logística para essa facção criminosa”, explicou o delegado de Polícia Federal Samuel Escobar.

Para a PF, a ação dos policiais envolvidos no esquema é essencial para a chegada de armas e drogas nas comunidades do Rio. “Sabemos que as comunidades não são produtoras de drogas, tampouco fabricam armas. Isso conta com a participação de agentes públicos que levam ou permitem que todo esse material ilícito chegue à essas comunidades. O crime é organizado por conta da sua estrutura. Tem uma divisão de núcleos. Percebemos claramente um braço armado formado por policiais, como também um grupo político ligado ao setor da da política”, disse o delegado federal Geraldo Almeida.

De acordo com as investigações, os agentes atuavam principalmente na segurança de lideranças das facções criminosas. “Os policiais eram recrutados por pessoas conhecidas ou integrantes da própria organização criminosa ou seus colegas de trabalho. As investigações demonstraram que a atuação já dura há muito tempo e é voltada para a escolta desses criminosos, o transporte a locais como hospitais ou qualquer outro que eles pedissem ajuda. A atuação claramente era de um braço armado, visando assegurar a integridade física desses criminosos”, explicou Geraldo.

No total, sete policiais militares foram presos, nesta quarta-feira. Além das prisões, o Supremo Tribunal Federal (STF) também determinou o imediato afastamento das funções públicas de todos os investigados, bem como o afastamento do sigilo de dados dos equipamentos eletrônicos apreendidos.

Entre os PMs presos estão:
Ênio Claudio Amâncio Duarte - 3º BPM (Méier)
Leonardo Cavalcanti Marques - 5º BPM (Praça da Harmonia)
Rodrigo Oliveira de Carvalho - 16º BPM (Olaria)
Flávio Cosme Menezes Pereira - 18º BPM (Jacarepaguá)
Ricardo Pereira da Silva -1 ª UPP / 2º BPM Santa Marta
Alex Pereira do Nascimento - 6ª UPP / 3º BPM São João
Franklin Ormond de Andrade - 7ª UPP / 3º BPM Jacaré

Além dos militares presos nesta quarta-feira, as outras fases da operação resultaram na prisão dos delegados Fabrizio Romano, da PF, e Marcos Henrique Oliveira Alves, da Polícia Civil, bem como diversos outros agentes.

“Isso deixa muito claro que não há perseguição em relação a nenhuma instituição, até porque é notório que há bons policiais militares como também policiais civis. A Polícia Federal investiga fatos criminosos e não pessoas, o escrúpulo se dá em relação ao evento criminoso”, afirmou Geraldo.

Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais. O material apreendido durante as buscas será submetido à análise, com vistas à identificação de possíveis outros agentes envolvidos no esquema.
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