Leniel Borel pede por justiça antes de julgamento de réus sobre a morte de seu filhoReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Publicado 23/03/2026 10:57
Rio - "São cinco anos que a gente luta esperando. O que me faz levantar da cama é lutar por justiça pelo meu filho e por outras crianças". As frases emocionadas são do vereador Leniel Borel (PP), pai do menino Henry Borel - que morreu em 2021 com sinais de agressão - ditas antes do começo do júri popular dos acusados, nesta segunda-feira (23). Os réus são a mãe de Henry, Monique Medeiros, e o padrasto Jairo Souza Santos Júnior, o ex-vereador Dr. Jairinho.
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Na sede do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), Leniel contou que aguarda pela condenação dos dois acusados há cinco anos. No andamento do processo, o vereador destacou que lutou pela pronúncia dos réus e pelas prisões.
"São cinco anos que eu sei de cada minutinho. Aqueles dois nunca imaginaram que seriam presos. A gente conseguiu prender os dois monstros. Lutamos muito para essa pronúncia a qual eles não queriam que esse dia chegasse. Hoje, a gente está vendo o júri popular chegando. Eu tenho vivido luto em luta. O que me faz levantar da cama todos os dias é essa questão de lutar por justiça pelo meu filho e por outras crianças. Ele me deixou um grande legado de luta por justiça", destacou.
Para Borel, a participação de Monique na morte do filho evidencia a gravidade do caso. "Não imaginava que uma mãe poderia matar, que eu ia conhecer alguém com o filho assassinado e isso aconteceu com a minha família. Três pessoas entraram vivas naquele apartamento. Horas depois, saíram dois adultos e uma criança morta. O que aconteceu com o meu filho no apartamento? Para mim, foi uma grande surpresa. Pensei que era uma mãe que estava sendo coagida e não estava", completou.
Segundo o vereador, caso os acusados não esclareçam como Henry morreu, ambos devem ser condenados com a mesma pena.
Adiamento do júri
A defesa de Jairinho teria tentado adiar o julgamento marcado para esta segunda-feira (23). De acordo com o assistente de acusação, Cristiano Medina da Rocha, os advogados estudaram abandonar o caso para postergar a sessão.
Leniel Borel destacou que estão tentando "fugir da verdade". "Para mim, é só mais uma estratégia. Eu conto mais de sete versões. Já ouvi diversas retóricas e falácias tentando fugir da verdade. Que mãe é essa que estava dentro do apartamento e não sabia? Ali não foi mãe e pode até ter participado", completou.
O júri popular começará com depoimentos de testemunhas de acusação, seguidas pelas de defesa. Na sequência, os acusados serão interrogados. Ao todo, mais de 20 pessoas serão ouvidas. Não há previsão para o término da sessão, que poderá se estender por mais dias.
Quais crimes são julgados?
Henry Borel foi levado ao hospital no dia 8 de março de 2021 com manchas roxas em várias partes do corpo. Imagens divulgadas posteriormente mostram o menino sendo carregado já sem vida no elevador do prédio em que Monique morava com Jairinho. Segundo o laudo de necropsia, Henry sofreu 23 lesões na madrugada em que morreu.
O caso foi investigado pela 16ª DP (Barra da Tijuca) que concluiu, em maio do mesmo ano, que o ex-vereador agredia a criança. O inquérito também revelou que Monique sabia que o filho vinha sendo vítima do padrasto, mas se omitia.
Jairo é acusado de homicídio qualificado por meio cruel e por recurso que impossibilitou a defesa da vítima, com aumento de pena por se tratar de menor de 14 anos e agravante por ter se prevalecido de relações domésticas.
Ele também responde pelos três episódios de tortura, igualmente agravados pelo contexto doméstico e pelo fato de a vítima ser criança, além de coação no curso do processo.
Monique Medeiros responde por homicídio por omissão, qualificado por motivo torpe e pelo recurso que impossibilitou a defesa da vítima, também com aumento de pena por se tratar de menor de 14 anos. Há ainda agravantes por se tratar de descendente e pelo vínculo doméstico. Ela também é acusada de duas torturas, nas mesmas circunstâncias, e de coação no curso do processo.
Os dois estão presos desde abril de 2021, mês seguinte à morte de Henry. Em janeiro deste ano, a Justiça negou um pedido de habeas corpus feito pela defesa do ex-vereador. Já Monique chegou a sair da cadeia após uma decisão da Justiça em 2022, mas voltou após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em 2023.
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