Gabriel de Jesus, 28 anos, deixa três filhos pequenosArquivo Pessoal
Publicado 27/04/2026 12:49 | Atualizado 27/04/2026 14:51
Rio - Pai de três filhos, o serralheiro Gabriel de Jesus Firmino, 28 anos, que morreu durante a montagem do palco da Shakira, em Copacabana, na Zona Sul, prometeu levar as crianças para brincar quando retornasse. Ao DIA, a cunhada do operário, Letícia Monthe, que está dando suporte à viúva, Larissa Santos, disse que a família a notícia foi um baque muito forte, uma vez que, além de tudo, Gabriel era o provedor da casa.

"Ele não ia trabalhar no domingo, mas foi acionado e precisou ir. Ele disse que ia voltar, porque meu sobrinho mais velho estava urinando com uma cor estranha, aí ele falou que ia chegar, levar para o posto 24h aqui próximo e depois ia levá-los na pracinha para brincar. As crianças ficaram aguardando o paizinho delas", lamentou a cunhada.

Larissa, muito abalada, preferiu não dar entrevista, mas publicou uma homenagem ao marido nas redes sociais. "Te amo, meu amor! Você era tudo que eu tinha, minha vida está destruída, nossos filhos… Vou te amar eternamente, que Deus te receba de braços abertos, minha vida".

Ao lado da irmã, Letícia explicou que sua maior preocupação é com o futuro da família sem o Gabriel.

"Ele era o pai, provedor, ainda que nós venhamos nos unir, a minha irmã tem três crianças, ela mora de aluguel. Eu também tenho três crianças, também trabalho. Então, a gente está vendo a melhor forma de amparar a minha irmã, porque ela precisa de muito apoio nesse momento. Eu sei que é muito prematura, mas ela precisa de auxílio, a casa dela é alugada, as crianças vão pedir comida. Elas precisam de apoio emocional, de remédios, de tudo. Meu sobrinho se trata no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (Iede), meu cunhado que levava, custeava", contou.

A cunhada acrescentou que as primeiras informações sobre o acidente chegaram desencontradas, e que a princípio, disseram que ele havia sofrido um acidente de moto.

"Eu estava em casa me preparando para ir ao culto quando minha mãe me ligou: ‘Letícia, liga pra sua irmã urgente que aconteceu alguma coisa com o Gabriel. Ele sofreu um acidente de moto’. Mas a gente ficou sem entender, rapidamente eu liguei para e falei: ‘Larissa, me conta o que aconteceu’. E ela disse que ligou pro dono da empresa que meu cunhado prestava serviço, e ele falou que ele tinha sofrido um acidente de moto”, relatou.

Gabriel, no entanto, não tinha moto, o que causou estranheza, mas a família achou até que ele poderia estar fazendo algum serviço de moto para empresa.

“Ele não estava com moto, estava no local, lá em Copacabana montando. A gente ficou sem entender as coisas, aí meu esposo foi ao hospital e eu fui a igreja. Depois, começou a sair nas redes sociais um vídeo de que um trabalhador foi esmagado, e aí minha irmã começou a achar que era ele. Aí soltaram matérias dizendo que ele chegou a ser socorrido, mas ele morreu ali mesmo, já chegou sem vida no hospital sem vida”, acrescentou.

O serralheiro trabalhava para a empresa Cenoar, que segundo a cunhada, está dando suporte a família desde domingo (26), dia do acidente. Já a Bonus Track, organizadora do evento, teria entrado em contato com Larissa apenas nesta segunda (27).

"Ele sempre trabalhou nesses eventos, ele só trabalhava para essa empresa há muito tempo. Vamos deixar nas mãos das autoridades competentes, a gente caiu meio que de paraquedas. Antes mesmos da minha irmã receber suporte, a Bonus Track soltou uma nota dizendo que estava prestando apoio a minha irmã, mas eles só entraram em contato com a gente hoje. A empresa sim, a Cenoart, está prestando todo apoio, eles vão tomar a frente das coisas. Mas ainda assim a gente está sem reposta de como que foi, mas infelizmente é uma coisa demorada, não vamos ter respostas agora", disse.
Publicidade
A família é moradora de Magé, na Baixada Fluminense. Até o momento, o local e horário do enterro ainda não foram definidos.
Em nota, a Bonus Track informou que os socorristas prestaram o primeiro atendimento no local e o Corpo de Bombeiros foi imediatamente acionado para o transporte do paciente. "Infelizmente, o profissional veio a óbito no hospital. Neste momento, estamos prestando todo apoio, acolhimento e solidariedade à empresa responsável, sua equipe e aos familiares da vitima", frisou em comunicado.
Segundo testemunhas, o serralheiro sofreu esmagamento das pernas em um sistema de elevação. Em imagens que circulam nas redes sociais, foi possível ver o desespero de vários funcionários ao tentarem retirar o equipamento de cima da vítima. Para isso, eles chegaram a utilizar uma serra e precisaram cortar partes da estrutura de ferro.
Investigação
Na manhã desta segunda-feira (27), a Polícia Civil realizou uma perícia na estrutura onde ocorreu o acidente. Além das equipes da 12ª DP (Copacabana), compareceram os funcionários da Auditoria do Trabalho e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). Também presente, o delegado Ângelo Lages, titular da distrital responsável pela investigação, destacou que o jovem sofreu uma morte trágica e se solidarizou com a família do operário.
"Pretendemos avançar no sentido de entender se houve um acidente ou homicídio culposo. Também tínhamos a ideia de um dolo eventual, só que pelo que percebi hoje, nessa análise preliminar, isso não aconteceu. Então vamos trabalhar com as duas possibilidades e concentrar os trabalhos no equipamento", afirmou Lages.
O delegado declarou ainda que a dinâmica do acidente pode ser esclarecida em um mês: "Ali, são dois elevadores, um do lado do outro. A princípio, o que a gente entendeu foi que ele [Gabriel] estava soldando uma peça e ele teria dado um comando para um outro operador baixar o elevador do alto, e assim, ele acabou ‘prensado’ entre os dois equipamentos. A perícia foi feita e nós acreditamos que, no prazo de 30 dias, eles vão oferecer esse laudo."
O caso é investigado pela 12ª DP (Copacabana) como lesão corporal culposa provocada como acidente de trabalho. Por conta do trabalho dos policiais, a montagem do palco precisou ser paralisada.
Palco maior que o da Madonna e Lady Gaga
O tamanho do palco supera o das apresentações de Madonna e Lady Gaga, com 1.345m² e uma passarela de 25 metros de comprimento. Ao longo da praia, está prevista a instalação de 16 torres com som e vídeo, reproduzindo o show para todos os fãs, com cada telão de LED tendo 45 metros quadrados. O evento está marcado para o dia 2 de maio.
Leia mais