Publicado 08/05/2026 12:10 | Atualizado 08/05/2026 15:33
Rio - Familiares do eletricista Fabiano Miranda Lopes, de 42 anos, que morreu após ser agredido na saída do clássico entre Flamengo e Vasco, no Maracanã, pedem Justiça e acusam o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, de negligência. A direção da unidade, no entanto, afirma que o quadro do paciente era grave e esclarece que ele "recebeu cuidados intensivos" durante os quatro dias de internação.
PublicidadeNa manhã desta sexta-feira (8), parentes da vítima estiveram no Instituto Médico Legal (IML) para realizar a liberação do corpo. Ao DIA, a irmã da vítima, a pedagoga Viviane Miranda Lopes, de 45 anos, contou que a família soube do ataque através de vídeos divulgados nas redes sociais e descreveu Fabiano como um bom pai, trabalhador e apaixonado pelo Vasco.
"Sempre que ele tinha oportunidade ele ia no jogo, ia com a esposa, com o filho, com o sobrinho. E, dessa vez, a esposa dele não foi porque ela ficou com medo de ir por ser no Maracanã, ter confusão e ela não conseguir correr, mas ele foi porque já estava conversando com outros colegas de arquibancada, combinando e tal. Ele encontrou o pessoal, eles tomaram uma cerveja antes de começar, foram ver o jogo e combinaram de voltar para tomar uma cerveja no final, mas naquela confusão toda, cada um correu para um lado", contou.
Viviane explicou que o irmão foi surpreendido por torcedores do Flamengo na Rua Oito de Dezembro, em Vila Isabel, nas proximidades do estádio. Ela relatou ainda que conhecidos o reconheceram através de vídeos publicados nas redes sociais.
"Ele achou que aquela rua ia ser mais vazia, mas deram de frente com uma torcida organizada do Flamengo, que foram com pedaços de pau, pedra e aconteceu isso, aquela covardia que colocaram em rede social. E alguém identificou que era ele, entrou em contato com a minha mãe, eu fui para o hospital, reconheci ele e a informação que eu tive foi que o estado dele era grave, mas estava estabilizado", afirmou.
Família acusa hospital de negligência
A pedagoga alegou, ainda, que na quarta-feira (6) foi surpreendida com a notícia de uma piora repentina após notar problemas no monitor que que acompanhava os sinais vitais do irmão.
"De segunda para terça, a médica falou que tinha esperança da recuperação dele. Mas, quando eu cheguei na quarta, achei que ele estava estranho, tendo espasmos. Perguntei para o médico o que estava acontecendo e me falaram que ele teve uma piora. Eu perguntei o que tinha acontecido e ele falou que não sabia, que ia precisar fazer mais exames. Quando eu olhei pro monitor, vi a luz do oxigênio piscando. Falei com o médico, e ele disse que era com a fisioterapeuta. Eu pedi pra chamar, porque, se estava piscando vermelho, era porque alguma coisa estava errada", contou.
Na sequência, Viviane relata que a médica mexeu no botão, mas não adiantou. Diante da situação, ela pediu que chamassem alguém que pudesse resolver.
"Eu pedi para chamar um chefe de equipe e ele viu que tinha alguma coisa errada e quando levantaram e puxaram o lençol dele, viram o tubo de oxigênio solto. Teve um momento que alguém pediu para encaixar e falaram que não estava conseguindo, e uma outra pessoa mandou olhar no manual, sendo que ele estava entubado, ele dependia do oxigênio, e quanto tempo estava assim eu não sei", lamentou.
"Eu pedi para chamar um chefe de equipe e ele viu que tinha alguma coisa errada e quando levantaram e puxaram o lençol dele, viram o tubo de oxigênio solto. Teve um momento que alguém pediu para encaixar e falaram que não estava conseguindo, e uma outra pessoa mandou olhar no manual, sendo que ele estava entubado, ele dependia do oxigênio, e quanto tempo estava assim eu não sei", lamentou.
Por fim, a irmã desabafou e pediu por Justiça. "Acho que toda a família que sofre uma negligência e uma covardia dessa quer é justiça, que eles fiquem mais atentos as vidas. Não é só mais um, para eles, que estão ali, pode ser só mais um, só uma estatística, mas para o familiar não", acrescentou.
Ainda ao DIA, a filha de Viviane, Mariana Lopes, 18, contou que Fabiano teria sido agredido tanto por torcedores do Vasco quanto do Flamengo.
"Foi negligência do hospital. Covardia dos próprios torcedores do time dele e também do Flamengo. Inclusive quando ele estava no hospital, o tubo do oxigênio dele estava desencaixado e os próprios médicos não sabiam o que fazer", desabafou.
Fabiano deixa mulher, três filhos e um enteado. Nas redes sociais, uma das filhas e o enteado do eletricista também lamentaram o caso.
"Meu papai, te amo para sempre. Meu guerreiro, te amarei eternamente. Descanse em paz, meu papai. A Justiça de Deus nunca falha", afirmou a filha. "Ele era meu padrasto, eu estou com muita saudade", relatou o enteado.
Até o momento, não há informações sobre o local e horário do enterro.
Também nas redes sociais, a Força Jovem da Região dos Lagos lamentou o caso e prestou solidariedade à Nona Família Zona Oeste, torcida organizada da qual Fabiano faria parte. Confira a nota:
"Neste momento de dor, a arquibancada se cala em respeito a quem sempre honrou a nossa camisa e esteve na linha de frente, defendendo o Vasco com lealdade e coragem. Perder um componente é perder um pedaço da nossa história e da nossa força.
Desejamos que Deus receba nosso guerreiro de braços abertos e que traga o conforto necessário aos corações dos familiares, amigos e de todos os irmãos da Nona Família. Que as lembranças das vitórias e das batalhas divididas lado a lado sirvam de acalento nesta hora tão difícil.
O seu legado e o seu amor pelo Vasco jamais serão esquecidos por aqueles que dividiram o asfalto e o cimento com você. Descanse em paz, Trakinas", disse.
Desejamos que Deus receba nosso guerreiro de braços abertos e que traga o conforto necessário aos corações dos familiares, amigos e de todos os irmãos da Nona Família. Que as lembranças das vitórias e das batalhas divididas lado a lado sirvam de acalento nesta hora tão difícil.
O seu legado e o seu amor pelo Vasco jamais serão esquecidos por aqueles que dividiram o asfalto e o cimento com você. Descanse em paz, Trakinas", disse.
O que diz o hospital?
Procurada, a direção do Souza Aguiar informou que Fabiano foi vítima de agressão e atropelamento, tinha quadro grave, e durante todo o tempo de internação recebeu cuidados intensivos na Sala Vermelha, em uso de todos os equipamentos de suporte à vida e sob rigorosos protocolos assistenciais.
"Apesar de todos os esforços da equipe de saúde, infelizmente o quadro clínico do paciente apresentou piora progressiva devido à gravidade das lesões e ele não resistiu, falecendo na madrugada desta quinta-feira (07). O corpo foi encaminhado ao IML, como é obrigatório para casos relacionados a agressões e a acidentes", finalizou em comunicado.
"Apesar de todos os esforços da equipe de saúde, infelizmente o quadro clínico do paciente apresentou piora progressiva devido à gravidade das lesões e ele não resistiu, falecendo na madrugada desta quinta-feira (07). O corpo foi encaminhado ao IML, como é obrigatório para casos relacionados a agressões e a acidentes", finalizou em comunicado.
Outro caso
Também após o clássico, outro torcedor, Arthur Cortines Laxe Ferreira da Conceição, de 18 anos, foi atingido no olho por uma bala de borracha após o clássico entre Flamengo e Vasco, nas proximidades do Maracanã. Internado desde então, o jovem enfrenta o risco de perder definitivamente a visão.
De acordo com a mãe, Christiane Cortines, os médicos identificaram um ferimento profundo, além de danos na região do canal lacrimal. O projétil também danificou o globo ocular e causou fraturas no nariz e na parte inferior do olho.
Ele segue internado na Casa de Saúde São José, com quadro clínico estável. Em nota, a unidade informou que o procedimento cirúrgico, realizado fora do hospital, ocorreu sem problemas e que diante da gravidade da lesão, a equipe médica está programando novas abordagens cirúrgicas.
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