Arthur Cortines Laxe Ferreira da Conceição, de 18 anos, atingido no olho por uma bala de borracha após o clássico entre Flamengo e Vasco da GamaReprodução/Redes sociais
Em entrevista ao DIA, Christiane revela que ainda tenta entender o que aconteceu com o único filho. Segundo ela, Arthur saiu de casa apenas para assistir à partida e foi ferido durante uma confusão entre torcedores.
"Implorei para ele não ir ao jogo. Era para ser um momento de lazer. Hoje meu filho está internado sem enxergar. Isso destrói qualquer mãe”, afirmou Christiane.
Arthur é um jovem como outro qualquer. Estuda, joga basquete, ajuda em casa, mas agora enfrenta uma batalha por causa da gravíssima lesão no olho. De acordo com a mãe, os médicos identificaram um ferimento profundo, além de danos na região do canal lacrimal.
A bala também danificou o globo ocular e causou fraturas no nariz e na parte inferior do olho. A Casa de Saúde São José, por meio de nota, informou que Arthur segue internado com quadro clínico estável. O procedimento cirúrgico, realizado fora do hospital, ocorreu sem problemas e que diante da gravidade da lesão, a equipe médica está programando novas abordagens cirúrgicas.
“O médico falou que a chance dele voltar a enxergar é muito remota, mas não impossível. Ele não corre risco de vida mas hoje ele não enxerga. Ele chora o tempo todo dizendo que quer voltar a ver. Isso é muito duro para uma mãe ouvir”, disse.
A mãe também afirma que o filho corre risco de comprometimento da outra visão e que a família aguarda novos exames para saber a extensão das lesões.
“Existe um risco pequeno de ele perder a outra vista também. O médico ainda vai fazer um ultrassom. Estou pedindo um milagre a Deus”, declarou, emocionada.
Christiane ainda criticou a atuação policial durante a confusão no entorno do estádio. Segundo ela, mesmo ferido e ensanguentado, o filho não teria recebido ajuda imediata.
“Ensanguentado, ainda queriam espancar ele. Um policial mandou ele se virar. Isso não pode ficar impune. Que polícia é essa?", afirmou.
Abalada, ela cobra uma resposta das autoridades sobre a ação que atingiu o estudante.
“É obrigação deles (Polícia Militar) me dar uma resposta. Onde está esse policial que atacou meu filho? Cadê ele? Não pode deixar isso ser esquecido, isso não pode ficar impune", questionou.
O caso está sendo acompanhado pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, que vai oficiar a Secretaria de Segurança Pública e o Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar para cobrar informações sobre as imagens da operação, identificação dos agentes envolvidos, abertura de procedimento administrativo e eventual afastamento dos policiais responsáveis.
A comissão também acionará o Ministério Público para abertura de investigação paralela sobre o caso. Segundo os parentes da vítima, a Polícia Civil ainda não procurou a família para colher depoimentos ou prestar esclarecimentos.



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