Familiares e amigos de Thamires Peixoto, de 28 anos, durante o velório no Cemitério do Irajá, Zona Norte do RioÉrica Martin/Agência O Dia
Publicado 09/05/2026 13:23 | Atualizado 09/05/2026 14:57
Rio - A família e os amigos da designer de sobrancelhas Thamires Rodrigues de Souza Peixoto, de 28 anos, se despediram da jovem neste sábado (9), no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio. Sob forte comoção, os parentes se abraçavam e demonstravam revolta diante da perda trágica.
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Thamires morreu após ser baleada pelo policial civil Frede Uilson Souza de Jesus durante uma confusão no trânsito ocorrida na quinta-feira (7), no bairro do Pechincha, na Zona Oeste. Ela estava no banco traseiro de um carro de aplicativo quando o agressor iniciou uma discussão por causa de uma manobra na Rua Professor Henrique Costa. O agente está preso.

O irmão da vítima, Leonardo Rodrigues, de 24 anos, afirmou que uma das maiores reviravoltas dessa tragédia foi descobrir que o autor do disparo era um policial civil. "A gente ficou sabendo que era policial, e quando uma pessoa entra para a polícia é para servir e proteger. Como o estado coloca um homem despreparado desse na rua? Ninguém sequer fez contato com a gente para saber se estávamos precisando de alguma coisa. Ele não é policial, ele é um bandido", disse.

Abalado, Leonardo lamentou a perda da irmã, com quem mantinha uma relação muito próxima e conversava diariamente. "Agora só fica uma camisa estampada. Ela não está mais aqui com a gente. Foi muito difícil. A família está toda desolada. Minha irmã era uma pessoa de coração puro, admirável e insubstituível. Para as crianças, não vai faltar amparo", completou.
Thamires deixa o marido e duas filhas.Neste sábado, véspera do Dia das Mães, a filha mais nova da vítima completa 4 anos. A amiga de Thamires, Thaynara Costa, também esteve no enterro e contou como explicaram às filhas da vítima, de 4 e 6 anos, que a mãe não estaria mais presente fisicamente. "A gente explicou da forma que conseguiu. Dissemos que a mãe havia virado uma estrelinha e que estava dormindo. Será o primeiro Dia das Mães sem a mãe, mas as crianças têm uma rede de apoio muito forte. Com o tempo, elas vão conseguir digerir tudo isso", afirmou.

Assim como a família, Thaynara, que também é advogada, informou que a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro acompanhará o caso. "A gente espera por justiça. Já há uma reunião com a Comissão de Direitos Humanos marcada para segunda-feira", disse.

Ao comentar sobre o ocorrido, Thaynara relatou que, segundo o motorista de aplicativo, ele sequer abriu o vidro do carro para discutir com o policial. "As imagens mostram que o motorista não abriu o vidro. Ele foi crucial para o socorro. Disse que nem ele entende o que aconteceu, porque não respondeu nem discutiu. Só percebeu o disparo pelo barulho, quando arrancou com o carro. Foi nesse momento que Thamires avisou que havia sido atingida", contou.
O motorista do aplicativo ainda levou Thamires até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade de Deus, mas ela não resistiu aos ferimentos.

A Polícia Civil prendeu Frede Uilson Souza de Jesus na noite de sexta (8). A Justiça do Rio decretou a prisão temporária do policial, que se apresentou espontaneamente para prestar depoimento antes de ser detido.

Após a prisão, a Corregedoria da Polícia Civil informou que afastou o agente das atividades e abriu um procedimento interno para apurar a conduta.



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