Frede Uilson Souza de Jesus estava lotado na 29ª DP (Madureira)Reprodução
Publicado 09/05/2026 16:28
Rio - Ao decretar a prisão temporária do policial civil Frede Uilson Souza de Jesus, a juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal do Rio, considerou que o agente apresenta comportamento agressivo e potencial para oferecer risco à ordem pública. Ele está preso desde sexta-feira (8), suspeito de matar a passageira de carro por aplicativo Thamires Rodrigues de Souza Peixoto, de 28 anos.
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A vítima estava no banco traseiro de um carro de aplicativo quando foi baleada nas costas pelo agente, na quinta-feira (7), na via que divide os bairros do Pechincha e da Taquara, na Zona Oeste do Rio.
"Fica evidente a necessidade da custódia temporária do indiciado por ser imprescindível às investigações, a saber: garantia da ordem pública, considerando a gravidade do crime, o comportamento agressivo do investigado, que agiu por motivo fútil, e o fato de ser policial civil, aproveitando do armamento e treinamento do Estado, o que potencializa o risco à ordem pública e à credibilidade das instituições, além do impacto social gerado pela morte da vítima às vésperas do Dia das Mães", escreveu a magistrada.
Na decisão, a juíza também destacou que, por ser policial civil e estar lotado na 29ª DP (Madureira), o investigado poderia ter acesso a redes de informação capazes de prejudicar a coleta de provas e intimidar testemunhas e vítimas indiretas. "Em liberdade, poderia se evadir ou intimidar testemunhas, notadamente pelo fato de ter se apresentado em sede policial somente após sua identificação pela Delegacia de Homicídios da Capital", diz outro trecho da decisão.
Thamires foi sepultada no dia do aniversário da filha caçula, neste sábado (9), no Cemitério de Irajá, na Zona Norte. Ela deixou marido e duas filhas, de 4 e 6 anos.
Motorista de aplicativo diz que não houve discussão
O motorista que conduzia o veículo onde Thamires estava relatou que, ao realizar uma manobra, o ocupante de outro automóvel atirou e fugiu em seguida. Informações colhidas pelos agentes da especializada indicam que os condutores dos dois carros teriam discutido por um desentendimento no trânsito.
No entanto, o motorista de aplicativo afirma que sequer abriu o vidro do carro para discutir com o policial. Ele só percebeu o disparo pelo barulho, ao arrancar com o veículo. Foi nesse momento que Thamires o avisou de que havia sido baleada.
O motorista ainda levou a passageira até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade de Deus, mas ela não resistiu aos ferimentos.
A Polícia Civil prendeu Frede Uilson Souza de Jesus na noite de sexta-feira (8). Após a prisão, a Corregedoria da Polícia Civil informou que afastou o agente das atividades e instaurou um procedimento interno para apurar a conduta. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que analisa imagens de câmeras de segurança e ouve testemunhas.
 
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