Familiares e amigos de Thamires Peixoto, de 28 anos, durante o velório no Cemitério do Irajá, Zona Norte do RioÉrica Martin/Agência O Dia
Thamires morreu após ser baleada pelo policial civil Frede Uilson Souza de Jesus durante uma confusão no trânsito ocorrida na quinta-feira (7), no bairro do Pechincha, na Zona Oeste. Ela estava no banco traseiro de um carro de aplicativo quando o agressor iniciou uma discussão por causa de uma manobra na Rua Professor Henrique Costa. O agente está preso.
O irmão da vítima, Leonardo Rodrigues, de 24 anos, afirmou que uma das maiores reviravoltas dessa tragédia foi descobrir que o autor do disparo era um policial civil. "A gente ficou sabendo que era policial, e quando uma pessoa entra para a polícia é para servir e proteger. Como o estado coloca um homem despreparado desse na rua? Ninguém sequer fez contato com a gente para saber se estávamos precisando de alguma coisa. Ele não é policial, ele é um bandido", disse.
Abalado, Leonardo lamentou a perda da irmã, com quem mantinha uma relação muito próxima e conversava diariamente. "Agora só fica uma camisa estampada. Ela não está mais aqui com a gente. Foi muito difícil. A família está toda desolada. Minha irmã era uma pessoa de coração puro, admirável e insubstituível. Para as crianças, não vai faltar amparo", completou.
Assim como a família, Thaynara, que também é advogada, informou que a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro acompanhará o caso. "A gente espera por justiça. Já há uma reunião com a Comissão de Direitos Humanos marcada para segunda-feira", disse.
Ao comentar sobre o ocorrido, Thaynara relatou que, segundo o motorista de aplicativo, ele sequer abriu o vidro do carro para discutir com o policial. "As imagens mostram que o motorista não abriu o vidro. Ele foi crucial para o socorro. Disse que nem ele entende o que aconteceu, porque não respondeu nem discutiu. Só percebeu o disparo pelo barulho, quando arrancou com o carro. Foi nesse momento que Thamires avisou que havia sido atingida", contou.
A Polícia Civil prendeu Frede Uilson Souza de Jesus na noite de sexta (8). A Justiça do Rio decretou a prisão temporária do policial, que se apresentou espontaneamente para prestar depoimento antes de ser detido.
Após a prisão, a Corregedoria da Polícia Civil informou que afastou o agente das atividades e abriu um procedimento interno para apurar a conduta.




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