Ed Motta prestou depoimento na 15ª DP (Gávea) nesta terça-feira (12)Reginaldo Pimenta / Arquivo O Dia
Publicado 13/05/2026 12:00
Rio - Áudios atribuídos ao cantor e compositor Ed Motta, investigado pelo crime de injúria por preconceito contra um funcionário do restaurante Grado, no Jardim Botânico, na Zona Sul, mostram que o artista já havia chamado a vítima de "paraíba" em 2025. A 15ª DP (Gávea) apura o caso.
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Em uma mensagem enviada ao estabelecimento no ano passado, divulgada pelo 'RJ2', da TV Globo, Motta teria dito que agrediria o atendente e que estava no limite para não partir para a briga.
"Eu tive uma noite horrível por conta desse cara. Se eu falar com ele, vai sair porrada. É a Tijuca contra o Nordeste. Então, é tipo: 'Pô cara, seu paraíba filho da p..., você tá trabalhando com público, não pode se comportar desse jeito'. Não quis chegar perto dele para mostrar o quanto tenho ódio de tudo. Muito mais que ele. Mesmo ele sendo um retirante, que veio da casa do car..., tenho um ódio muito maior do que o dele. Estou contando para ver se isso alivia de alguma forma. Não quero deixar de frequentar, mas me conheço. Estou no meu limite com ele. A próxima é pular o balcão e pegar ele. E polícia", diz o áudio.
O cantor é investigado sobre um episódio semelhante, ocorrido no último dia 2, quando teria, novamente, chamado um funcionário do restaurante de "paraíba". Nesse dia, houve uma confusão entre os amigos do artista e outros clientes, terminando em briga e agressão. Tudo isso devido a cobrança de uma taxa de rolha. 
Durante depoimento realizado nesta terça-feira (12), Motta negou que tenha ofendido qualquer funcionário. Ele alegou que frequenta o Grado há nove anos e nunca teve problemas com a equipe do estabelecimento, mas ficou "extremamente chateado" ao perceber que o atendente estava cobrando pela taxa de rolha.
Sobre o suposto xingamento xenofóbico proferido contra o garçom, o cantor afirmou que a acusação é falsa e acrescentou que é neto de baiano e bisneto de cearense, possuindo um amplo respeito pelos nordestinos. Além disso, declarou que é "negro e gordo", portanto repudia qualquer tipo de preconceito.
Confusão e agressão
Segundo o registro da ocorrência, Ed Motta jogou uma cadeira na parede e derrubou outra, onde estavam os pertences de um cliente. Isso ocorreu depois de uma negativa da retirada da taxa de rolha, cobrada quando o frequentador leva seu próprio vinho de casa.
Sobre a confusão, o cantor afirmou em depoimento que se levantou da cadeira e disse apenas: "Nunca mais volto aqui". Em seguida, "sob influência de emoção", pegou uma cadeira e a arremessou ao chão, sem intenção de acertar qualquer pessoa. Por fim, esbarrou sem querer na mesa onde estava outro grupo e foi embora do local.
No mesmo dia do caso, Motta teria enviado um áudio ao sócio do restaurante pedindo desculpas. "Tive uma experiência terrível. Fiz a reserva de uma mesa e vocês não me avisaram que teria uma rolha. A gente se conhece há tantos anos. Tem que respirar fundo. Eu peço desculpa porque joguei uma cadeira no chão de ódio. Fiquei com ódio mortal da rolha cobrada, o desrespeito que foi. A questão é combinar antes. Desci o sarrafo porque um amigo meu fez uma pergunta para ele [funcionário] e ele não respondeu. Eu disse que ele era assim mesmo, um babaca que não responde", destacou.
Ainda no dia 2, um amigo de Motta teria agredido outro cliente. Segundo a vítima, ela estava jantando com a família, próximo à mesa do cantor, que estava com cinco acompanhantes. Em determinado momento, o artista se levantou e derrubou uma cadeira em que estavam os pertences do cliente.
Em seguida, houve uma discussão entre as duas mesas, ocasião em que um homem, que estaria na mesa de Motta, se levantou e agrediu a vítima com um soco no rosto.

Ainda de acordo com o cliente, ele não revidou e decidiu ir embora para não causar mais confusão. Contudo, na saída do restaurante, o autor lançou uma garrafa de vidro pelas suas costas, ferindo o lado esquerdo da cabeça.
A reportagem tenta contato com a defesa de Motta. O espaço está aberto para manifestação. 
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