Publicado 17/05/2026 18:35
Rio - Ícone do samba, Noca da Portela morreu neste domingo (17), aos 93 anos. Ele estava internado desde o dia 30 de abril no Hospital Assim Medical, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, para tratar uma infecção pulmonar. No último dia 10, chegou a ser transferido para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) da unidade, após apresentar piora no quadro clínico. Ele faleceu às 17h05 de hoje, segundo o boletim médico.
PublicidadeO velório de Noca acontecerá na terça-feira (19) na quadra da Portela, em Madureira. A cerimônia será aberta ao público, das 8h às 14h.
Nas redes sociais, a Portela, onde Noca ocupava o posto de baluarte, lamentou a perda e decretou três dias de luto oficial. "Com profundo pesar, o G.R.E.S. Portela comunica o falecimento do nosso eterno baluarte Noca da Portela. Figura querida e sempre presente em nossa quadra, Noca fará muita falta para toda a família portelense. Em nome da presidência, ficam decretados três dias de luto oficial. Enviamos todo o nosso carinho e solidariedade aos familiares, amigos e admiradores deste grande artista", escreveu a agremiação. Leia a nota na íntegra abaixo.
Após a notícia da morte de Noca, outras personalidades do mundo do samba também se manifestaram nas redes sociais em homenagem ao artista. O presidente da Portela, Júnior Escafura, também prestou homenagem nas redes sociais: "Obrigado por tudo, mestre Noca. Seu nome jamais será esquecido. A Portela e o samba se orgulham muito da sua trajetória e da sua história. Seu amor pela nossa Portela era indescritível. Descanse em paz, ídolo", escreveu.
O primeiro mestre-sala da escola, Marquinhos de Oswaldo Cruz, também lamentou a perda: Sambistas não morrem; o pandeiro silencia na Terra, mas o céu ganha mais uma estrela para manter o samba eterno. Ao nosso imortal mestre Noca, toda a nossa reverência. Meus sentimentos a todos os portelenses", declarou.
O primeiro mestre-sala da escola, Marquinhos de Oswaldo Cruz, também lamentou a perda: Sambistas não morrem; o pandeiro silencia na Terra, mas o céu ganha mais uma estrela para manter o samba eterno. Ao nosso imortal mestre Noca, toda a nossa reverência. Meus sentimentos a todos os portelenses", declarou.
A Mocidade Independente de Padre Miguel também prestou solidariedade à família de Noca e à Portela: "Quando uma chora, choramos todas. Hoje, o mundo do samba perde um dos seus grandes nomes. Todo carinho e força para nossa coirmã Portela e para a família neste momento de luto. Noca da Portela foi um dos maiores poetas da nossa festa e um nome histórico da cultura brasileira. Um beijo de toda a família Independente", escreveu a agremiação.
O Fluminense, time do coração de Noca da Portela, também prestou homenagem ao sambista na noite de domingo. Em nota, o clube destacou o amor do artista pelo Tricolor e lembrou que ele eternizou essa paixão em versos como "de corpo e alma, de coração".
"O Fluminense FC recebe com enorme pesar a notícia do falecimento de Noca da Portela, um dos grandes artistas tricolores da história do samba. Tricolor ‘de corpo e alma, de coração’, como cantou, Noca é um dos compositores de ‘Gosto que me enrosco’, samba da sua Portela de 1995 que ganhou as arquibancadas do Maracanã, na voz da torcida do Fluminense, após encantar a Sapucaí. Noca nos deixa com muita tristeza, mas com o orgulho imenso de poder dividir seu coração azul e branco com as três cores que traduzem tradição. Obrigado por tudo, mestre", escreveu o clube.
"O Fluminense FC recebe com enorme pesar a notícia do falecimento de Noca da Portela, um dos grandes artistas tricolores da história do samba. Tricolor ‘de corpo e alma, de coração’, como cantou, Noca é um dos compositores de ‘Gosto que me enrosco’, samba da sua Portela de 1995 que ganhou as arquibancadas do Maracanã, na voz da torcida do Fluminense, após encantar a Sapucaí. Noca nos deixa com muita tristeza, mas com o orgulho imenso de poder dividir seu coração azul e branco com as três cores que traduzem tradição. Obrigado por tudo, mestre", escreveu o clube.
A Prefeitura do Rio publicou uma nota sobre a grande perda para o mundo do samba. "Noca da Portela, um dos grandes nomes do samba e da cultura popular carioca. Noca teve sua trajetória marcada pela dedicação à Portela, consolidando-se como um dos grandes autores de sambas que foram pilares para a história do Carnaval carioca. Sua obra e atuação como compositor e integrante da Velha Guarda Show da Portela representam um legado fundamental para a música brasileira. A Prefeitura se solidariza com familiares, amigos e toda a comunidade do samba. Temos certeza de que o legado de Noca da Portela seguirá vivo e pulsando na história da cidade."
Ainda não há informações sobre o local e horário do sepultamento do sambista.
Segundo a família, o sambista tinha o grande desejo de retornar para casa, especialmente por causa do lançamento do EP Flores em Vida, projeto especial gravado pela Universal Music que representa uma emocionante homenagem ao artista ainda em vida.
Quem foi Noca da Portela
O compositor, cantor e baluarte da Portela Osvaldo Alves Pereira, mais conhecido como Noca da Portela, nasceu em Leopoldina, em Minas Gerais, em 12 de dezembro de 1932, e se tornou um dos maiores nomes da história do samba carioca. Autor de centenas de composições e um dos maiores vencedores de sambas-enredo da azul e branco de Madureira, construiu uma trajetória marcada pela defesa da cultura popular e pela ligação profunda com o Carnaval do Rio.
Ainda criança, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família. Filho de um professor de violão, trabalhou como feirante durante a juventude, mas acabou seguindo o caminho da música, estudando violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil.
Noca começou a compor ainda adolescente e iniciou sua trajetória no samba pela Unidos do Catete. Nos anos 1950, participou da fundação da escola de samba Paraíso do Tuiuti, onde assinou sambas-enredo marcantes e consolidou seu nome no meio carnavalesco.
Em 1966, foi convidado por Paulinho da Viola para integrar a ala de compositores da Portela. A entrada na escola aconteceu após um teste aplicado por Candeia, um dos sambistas mais respeitados da agremiação. Na azul e branco de Madureira, Noca construiu uma das trajetórias mais vitoriosas da história da escola.
Ao longo da carreira, venceu disputas de samba-enredo em sete oportunidades na Portela, tornando-se um dos compositores mais premiados da escola. Entre os sambas de maior destaque estão "Gosto que me enrosco", vencedor do Estandarte de Ouro em 1995; "Os olhos da noite", premiado em 1998; e "ImagináRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal", um dos sambas mais celebrados do Carnaval de 2015.
Além da atuação na Portela, Noca integrou o Trio ABC da Portela, ao lado de Colombo e Picolino, grupo que ganhou notoriedade em programas de televisão e apresentações musicais nas décadas de 1960 e 1970.
Suas composições ultrapassaram os limites da avenida e foram gravadas por grandes nomes da música brasileira, como Beth Carvalho, Clara Nunes, Alcione e Zeca Pagodinho. Entre suas músicas mais conhecidas está "Virada", eternizada na voz de Beth Carvalho e associada ao período de redemocratização do Brasil.
Militante do Partido Comunista Brasileiro, Noca também ficou conhecido pelo caráter político e social de muitas de suas letras. No fim da década de 1990, apresentou o programa "Na Casa de Noca", na rádio 94 FM, dedicado ao universo do samba e à valorização dos compositores populares.
Em 2006, assumiu a Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro durante o governo de Rosinha Garotinho. Mesmo longe dos desfiles oficiais em alguns períodos, manteve forte presença no samba carioca, participando de projetos musicais, gravações e disputas de samba-enredo.
Em 2017, lançou o álbum “Homenagens”. Em 2025, participou do projeto “Coleção Flores Em Vida”, reunindo nomes importantes da música brasileira. Também continuou ligado à Portela, assinando sambas concorrentes para o Carnaval de 2026.
Reconhecido como um dos grandes baluartes do samba, Noca da Portela ajudou a preservar a tradição das escolas de samba e atravessou gerações como símbolo da cultura popular brasileira.
Ainda criança, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família. Filho de um professor de violão, trabalhou como feirante durante a juventude, mas acabou seguindo o caminho da música, estudando violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil.
Noca começou a compor ainda adolescente e iniciou sua trajetória no samba pela Unidos do Catete. Nos anos 1950, participou da fundação da escola de samba Paraíso do Tuiuti, onde assinou sambas-enredo marcantes e consolidou seu nome no meio carnavalesco.
Em 1966, foi convidado por Paulinho da Viola para integrar a ala de compositores da Portela. A entrada na escola aconteceu após um teste aplicado por Candeia, um dos sambistas mais respeitados da agremiação. Na azul e branco de Madureira, Noca construiu uma das trajetórias mais vitoriosas da história da escola.
Ao longo da carreira, venceu disputas de samba-enredo em sete oportunidades na Portela, tornando-se um dos compositores mais premiados da escola. Entre os sambas de maior destaque estão "Gosto que me enrosco", vencedor do Estandarte de Ouro em 1995; "Os olhos da noite", premiado em 1998; e "ImagináRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal", um dos sambas mais celebrados do Carnaval de 2015.
Além da atuação na Portela, Noca integrou o Trio ABC da Portela, ao lado de Colombo e Picolino, grupo que ganhou notoriedade em programas de televisão e apresentações musicais nas décadas de 1960 e 1970.
Suas composições ultrapassaram os limites da avenida e foram gravadas por grandes nomes da música brasileira, como Beth Carvalho, Clara Nunes, Alcione e Zeca Pagodinho. Entre suas músicas mais conhecidas está "Virada", eternizada na voz de Beth Carvalho e associada ao período de redemocratização do Brasil.
Militante do Partido Comunista Brasileiro, Noca também ficou conhecido pelo caráter político e social de muitas de suas letras. No fim da década de 1990, apresentou o programa "Na Casa de Noca", na rádio 94 FM, dedicado ao universo do samba e à valorização dos compositores populares.
Em 2006, assumiu a Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro durante o governo de Rosinha Garotinho. Mesmo longe dos desfiles oficiais em alguns períodos, manteve forte presença no samba carioca, participando de projetos musicais, gravações e disputas de samba-enredo.
Em 2017, lançou o álbum “Homenagens”. Em 2025, participou do projeto “Coleção Flores Em Vida”, reunindo nomes importantes da música brasileira. Também continuou ligado à Portela, assinando sambas concorrentes para o Carnaval de 2026.
Reconhecido como um dos grandes baluartes do samba, Noca da Portela ajudou a preservar a tradição das escolas de samba e atravessou gerações como símbolo da cultura popular brasileira.
Em 2022, o compositor foi homenageado pela direção da Universidade Federal do Rio (UFRJ) com o título de doutor Honoris Causa. A solenidade de entrega aconteceu com a presença de Denise Pires de Carvalho, reitora da instituição, e outras personalidades.
Reportagem com a colaboração do estagiário Rodrigo da Costa, sob a supervisão de Thalita Queiroz
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