Defesa de Jairinho diz que lesões de Henry foram feitas no hospitalArquivo/Reginaldo Pimenta/Arquivo O Dia
Publicado 29/05/2026 10:18 | Atualizado 29/05/2026 11:13
Rio - A "laceração hepática foi produzida em vida e não está relacionada à massagem cardíaca", a afirmação foi feita pelo perito-legista Luís Carlos Leal Prestes, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), responsável por assinar o laudo 3D da morte do menino Henry Borel, em março de 2021. O médico é o primeiro a depor no quinto dia do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros pelo assassinato da criança, nesta sexta-feira (29), no II Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.
Publicidade
A frase dita pelo perito vai de encontro à versão apresentada pela defesa de Jairinho, de que as lesões apresentadas por Henry no dia de sua morte foram causadas no Hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, para onde o menino foi levado pela mãe e o padrasto.
"A massagem cardíaca bem feita não provoca lesões no fígado. É feita em uma área completamente diferente. Houve a hemorragia interna, a laceração hepática, que produziu a morte e, portanto, a necessidade da massagem cardíaca. Não poderia haver hemorragia interna se não houvesse circulação. Não se tem hemorragia que o sangue preenchendo a cavidade abdominal com a pessoa morta. Essa laceração hepática foi produzida em vida e não está relacionada à massagem cardíaca", afirmou.
Durante seu depoimento, o perito foi enfático ao dizer que a morte de Henry não foi rápida. O médico disse, inclusive, que o menino, com 4 anos na época, sofreu muito antes de falecer lentamente. 
"Essa criança sentiu muita dor, sofreu muito. Além dessas lesões, essa morte foi lenta, agônica, progressiva… O sangramento que produziu a morte foi lento. Essa criança, com a multiplicidade de lesões, deve ter chorado e reclamado muito até desfalecer. Com a hemorragia interna, a criança perde a consciência até desfalecer e entrar em óbito. Essa criança sofreu por um bom tempo até sucumbir", disse.
Segundo Prestes, a variedade de locais das lesões aponta que o menino foi espancado ao menos três vezes antes de morrer. Ele ainda descreveu que Henry apresentava lesões arredondas e paralelas - uma ao lado da outra - nas costas, muito compatível com um soco.
"Há sinais de espancamento. Como se poderia justifica a presença dessa grande quantidade de lesões em locais distintos se não for por uma agressão? As lesões foram produzidas em locais diferentes. O edema cerebral que foi generalizado. O cérebro funciona como um todo, então o edema é um só. Localização dos traumas foram em locais diferentes, não foram lesões diferentes. Elas não se confluem, são lesões independentes. Três momentos de agressões diferentes", afirmou.
O relato do médico também foi de encontro à versão de que o menino havia caído da cama. "Acidente doméstico está totalmente descartado. Não existe essa possibilidade. Acidente doméstico, no máximo, poderia produzir lesão única ou duas lesões em locais próximos. Ao cair da cama, uma criança de 4 anos já tem reflexo para colocar a mão na frente, capacidade de defesa", disse.
Na época do crime, foram divulgadas imagens de câmeras de segurança do elevador do prédio em que Jairinho e Monique moravam que mostram o ex-casal entrando no local com o menino imóvel. Para o perito, naquele momento, Henry já estava morto.
"Qualquer médico, não precisa ser legista, verifica que aquela criança está sem vida. Ela está com flacidez muscular, sem qualquer movimentação, indicando que se encontrava já inconsciente. Todos os elementos técnicos existentes falam a favor de que essa criança já chegou [ao hospital] sem vida. E a causa foi determinada no exame cadavérico", disse.
Para o legista, no entanto, a lesão no pulmão de Henry pode, sim, ter sido causada na unidade de saúde por uma punção de vaso profundo no pescoço - acesso da veia jugular interna para a colocação de um cateter venoso central, muito usada para pacientes críticos que necessitam de medicações específicas ou monitorização.
Médico formado há 44 anos, Prestes ainda alfinetou Jairinho ao dizer que a massagem cardíaca é um procedimento muito básico que não tem como esquecer. O ex-vereador, que é ex-médico, afirmou que não fez a manobra de reanimação porque havia treinado apenas em bonecos e nunca exerceu a Medicina.
*Em atualização
Leia mais