Rio - O último depoimento desta quinta-feira (28) no julgamento do caso Henry Borel terminou com mais uma declaração atribuída ao menino, que morreu aos 4 anos em 2021. A testemunha Paloma dos Santos Meireles, que trabalhava como manicure, afirmou aos jurados que ouviu a criança dizer à mãe, Monique Medeiros, que havia sido machucado pelo "tio", como chamava o padrasto, o então vereador Jairinho.
Segundo Paloma, Monique recebeu uma ligação da babá, Thayná de Oliveira Ferreira, enquanto era atendida em um salão de beleza. Logo depois, de acordo com a manicure, ela fez contato por vídeo com o filho. A testemunha contou que conseguiu ouvir parte da conversa e que Henry respondeu à mãe quando foi perguntado sobre o que havia acontecido. "Ele disse que o tio havia machucado", afirmou.
Paloma disse que, após ouvir o menino, Monique pediu que Henry passasse o telefone para Thayná. Em seguida, ouviu perguntas sobre a situação dentro do apartamento. A testemunha relatou que a babá contou que a porta do quarto estava fechada e que a televisão permanecia ligada com o som alto.
Depois disso, ainda segundo o depoimento, Monique disse que ligaria para Jairinho para saber o que tinha acontecido com a criança. Paloma afirmou que não conseguiu ouvir a conversa entre os dois porque voltou ao atendimento naquele momento.
Questionada pela acusação, a testemunha confirmou que escutou diretamente Henry atribuir ao "tio" o que havia acontecido.
A promotoria ainda perguntou sobre o tom de Monique durante a ligação. Paloma respondeu que a mãe de Henry falava alto o suficiente para que pessoas próximas percebessem a conversa e confirmou que parecia irritada naquele momento.
Apesar disso, a defesa questionou se a mãe de Henry tinha liberdade para interromper o atendimento e ir embora imediatamente. "Tinha total liberdade para sair dali", disse a testemunha.
A fala foi explorada pelos advogados de defesa para sustentar que Monique poderia ter deixado o local caso tivesse entendido que a situação era grave naquele instante.
Relembre o julgamento
O julgamento de Monique Medeiros e do ex-vereador Dr. Jairinho começou na última segunda-feira (25) no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e mobiliza uma das maiores atenções da história recente do Judiciário fluminense.
A expectativa agora é que as oitivas continuem nesta sexta-feira (29), com novas testemunhas apontadas como centrais para esclarecer os acontecimentos dos dias que antecederam a morte de Henry, antes da etapa reservada aos interrogatórios dos réus e dos debates finais entre acusação e defesa.
Henry morreu na madrugada do dia 8 de março. O caso provocou comoção nacional e se tornou um dos processos criminais mais acompanhados do país. De acordo com a denúncia do Ministério Público, a criança foi vítima de agressões dentro do apartamento onde vivia com a mãe, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. A acusação sustenta que Jairinho praticou as agressões e que Monique tinha conhecimento da violência contra o filho.
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