Publicado 01/06/2026 12:44 | Atualizado 01/06/2026 13:53
Rio - Familiares dos pedreiros Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, 46, mortos por policiais militares em São Gonçalo, na Região Metropolitana, consideram que a indenização oferecida pelo Governo do Rio não substitui o desejo por justiça. As vítimas perderam a vida após agentes confundirem um equipamento para obra com fuzil.
PublicidadeAo DIA, Inaldo Vicente da Silva, 55, irmão de Marcelo, contou que irá se reunir com seus advogados e com a Defensoria Pública do Estado do Rio, nesta segunda-feira (1º), para entender os procedimentos da indenização. Apesar disso, ele deseja a prisão dos PMs envolvidos.
"Nada paga a vida dele, nem uma indenização. Nada vai trazer ele de volta. Quero que a justiça seja feita. Hoje, vou ter uma reunião com o pessoal da Defensoria Pública, que vão me explicar melhor. Quero que a justiça seja feita e que os culpados sejam punidos para que não aconteça mais isso. Vamos fazer os procedimentos para ver o que o governo pode fazer com a família", comentou.
A advogada Camila Guimarães, que representa a família de Marcelo, destacou que a defesa ainda não teve acesso formal a qualquer proposta oficial relacionada à indenização. Ela informou que qualquer posição por parte de familiares e dos advogados depende, necessariamente, da ciência integral dos termos, bem como da análise minuciosa dos fatos, das circunstâncias do caso e de todos os direitos legalmente cabíveis.
"Trata-se de matéria extremamente sensível, que exige responsabilidade e cautela. Neste momento, não é possível emitir qualquer juízo de valor ou manifestação conclusiva sobre o tema. Tem a indenização, mas também queremos a condenação efetiva dos policiais envolvidos. Quem fez a barbaridade e de quem foi conivente", ressaltou.
"Trata-se de matéria extremamente sensível, que exige responsabilidade e cautela. Neste momento, não é possível emitir qualquer juízo de valor ou manifestação conclusiva sobre o tema. Tem a indenização, mas também queremos a condenação efetiva dos policiais envolvidos. Quem fez a barbaridade e de quem foi conivente", ressaltou.
Luciene dos Santos, 35, cunhada de Edivan, explicou que o Governo já procurou a família para indenizá-los, mas esse não é o foco dos parentes.
"Minha irmã e a nossa família não estão pensando nisso. A gente quer justiça e que todos os envolvidos sejam presos. Não só afastados. Creio que estão agilizando as coisas assim porque repercutiu no país inteiro. Não acredito muito que terá uma punição do jeito que a gente quer, que seria a prisão dos envolvidos", disse.
Segundo ela, a companheira e a filha do pedreiro seguem sofrendo. "Ele chegou na nossa família pra fazer o bem. Era um cara que brincava com todo mundo e trabalhador. Minha irmã está sem chão. Eles faziam tudo juntos. Nem o bar e a pensão que os dois tinham, ela está conseguindo abrir. Minha sobrinha chora todo dia porque era muito agarrada com ele", finalizou.
No último dia 30, o governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, determinou que a Procuradoria Geral do Estado inicie os trâmites legais para viabilizar o pagamento de indenização às famílias dos pedreiros.
Em nota, o Governo do Rio ainda reforçou que as investigações devem ser conduzidas com "absoluto rigor e transparência" pelas polícias Civil e Militar para esclarecer todas as circunstâncias do caso, garantindo a devida responsabilização.
A Polícia Militar informou que os agentes envolvidos na ocorrência foram afastados do serviço nas ruas. Um procedimento apuratório interno segue em curso na Corregedoria Geral.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
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