Marcelo da Cruz Silva (à esquerda), de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis (à direita), de 46Reprodução/Redes sociais
Governador em exercício determina indenização às famílias de pedreiros mortos em São Gonçalo
Edivan Felipe de Assis, de 46 anos, e Marcelo da Cruz Silva, de 41, foram alvos de disparos de policiais militares
Rio - O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, determinou que a Procuradoria Geral do Estado inicie os trâmites legais para viabilizar o pagamento de indenização às famílias dos pedreiros Edivan Felipe de Assis, de 46 anos, e Marcelo da Cruz Silva, de 41. Os dois foram mortos a tiros por policiais do 7º BPM (São Gonçalo) que confundiram um instrumento de trabalho das vítimas com uma arma.
Em nota, o Governo do Rio ainda reforçou que as investigações devem ser conduzidas com "absoluto rigor e transparência" pelas polícias Civil e Militar para esclarecer todas as circunstâncias do caso e garantir a devida responsabilização. "Os policiais envolvidos já foram afastados das atividades operacionais", informou.
Testemunhas ouvidas pelo DIA relataram que acordaram com uma rajada de tiros e, ao chegarem ao local, contabilizaram mais de 30 cápsulas de munição deflagradas. A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) realizou a perícia e apreendeu as armas dos agentes do 7º BPM (São Gonçalo).
Na nota oficial publicada pela PM não consta a informação de troca de tiros: "Um procedimento apuratório segue em curso para averiguar todas as circunstâncias na qual policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta, durante ocupação na localidade de Ipuca".
Marcelo, conhecido como Celinho, e Edivan eram vizinhos e estavam trabalhando juntos há menos de uma semana em uma obra. Eles morreram baleados na Avenida Doutor Albino Imparato, principal via do bairro, momentos depois de saírem de casa em uma mesma moto. Com eles, foram encontradas marmitas e ferramentas de trabalho.
Durante o sepultamento de Edivan, que deixa uma filha de 14 anos e um neto de três meses, familiares e amigos levaram cartazes, bolas brancas e uma régua, semelhante à que os agentes teriam confundido com uma arma. Segundo a família, ele administrava um bar com a mulher e trabalhava como pedreiro para complementar a renda.
"Se fosse uma doença, ia doer, lógico, toda morte é doida, mas a gente ia se conformar. Mas da maneira que foi, eles foram executados. Eles estavam fazendo uma obra em Niterói, eles começaram na segunda e na quarta aconteceu isso. Da forma que foi, a gente nunca vai se conformar. Onde a gente mora não tem nenhum fuzil branco, como a polícia vai confundir uma régua branca com um fuzil?", questionou uma familiar que preferiu não se identificar.
Na despedida de Marcelo, a mãe da vítima não se cansou de pedir por justiça. "Meu filho saiu às 7h da manhã para trabalhar e aconteceu isso com ele. Mataram meu filho. Hoje, o que eu peço é justiça. Que esse policial seja preso. Meu filho não era vagabundo, ele era trabalhador", desabafou Maria Silva.
A mãe ainda lembrou Celinho como um homem carinhoso e atencioso com a família. "Ele sempre conversava com a gente, estava brincando, feliz. Gostava de tomar a cervejinha dele toda semana. Eu até brigava com ele por isso, mas ele não era vagabundo", completou.



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