Publicado 29/06/2026 13:27 | Atualizado 29/06/2026 14:08
Rio - Esperas mais longas marcaram o primeiro dia da greve dos rodoviários, nesta segunda-feira (29), na cidade do Rio. A categoria reivindica reajuste salarial. Equipes do DIA estiveram em diferentes pontos de ônibus e terminais que apresentaram filas, enquanto outros estavam vazios. Veja fotos!
A reportagem conversou com passageiros que relataram transtornos. Na Central do Brasil, foi constatada pouca circulação de ônibus e grande fluxo de passageiros. O carpinteiro Rodolfo Rocha, de 30 anos, ficou mais de duas horas no ponto para tentar chegar ao trabalho. Devido a demora, decidiu voltar para casa.
"Não está rodando ônibus nenhum da linha 315, nem 361 desde de manhã. Aí eu comuniquei a empresa e estou indo pra casa. Eu fiquei umas 2h30 no ponto, cheguei umas 4h40/5h e até agora (às 7h) não passou nada. Está tudo lotado, o povo está indo embora, nem o cara que fica na cabine ali do ponto deles está lá. Isso acaba prejudicando não só eu, como a empresa também, pois não tem como chegar na empresa", disse.
Os problemas com transporte se estendem em diversas regiões do município. Em um ponto de ônibus na Rua Cardoso de Moraes, em Bonsucesso, Zona Norte, usuários do transporte público também relataram horas de espera.
A auxiliar de serviços gerais, Joyce Silva, de 38, saiu de casa antes das 6h e mesmo assim estava há mais de uma hora atrasada para o emprego. "A condução está péssima hoje, o percurso está demorando muito. Eu saí cedo, mas estou chegando tarde no trabalho, saí de casa 5h50, fui pegar o ônibus 6h45, normalmente pego no intervalo 20 minutos. Não estava passando nenhuma condução, eu pego 7h, já são 8h11 e é complicado. Tem muita gente no ponto esperando", lamentou.
O ponto da Avenida Osvaldo Aranha, em São Cristóvão, na Zona Norte, ficou lotado de passageiros na espera por um ônibus. A dona de casa Leila Almeida, 38, esperou por mais de uma hora para embarcar a caminho de uma consulta em um hospital.
"Estou atrasada para uma consulta… O ponto estava cheio, o pessoal está esperando por bastante tempo. Estou há quase uma hora aqui no ponto, estou até pensando em pedir um carro por aplicativo. Moro no Jardim Primavera, em Duque de Caxias, vim de trem e preciso pegar um ônibus para ir ao hospital. Tenho três opções de ônibus e ainda não passou ninguém. Não posso perder essa consulta, já estou esperando há algum tempo", pontuou Leila.
Na Avenida Venceslau Brás, em Botafogo, Zona Sul, a operadora de caixa Renata dos Santos, 23, esperou o coletivo para embarcar em direção ao Méier, na Zona Norte. Ela comentou que, apesar das dificuldades enfrentadas nesta manhã, apoia as reivindicações do sindicato.
"Os ônibus que eu pego costumam passar o tempo todo! O 457 (Abolição x Copacabana), 404 (Cordovil x Leblon)... Mais cedo, até consegui ônibus normalmente, mas agora está complicado. Os motoristas devem reivindicar os direitos deles, eles estão certos, mas acaba nos prejudicando um pouco. Nos próximos dias, deve ficar ainda pior", destacou ela.
Passageiros também aguardavam o transporte no Terminal Gentileza, na Zona Portuária, e em um ponto na Avenida da Brasil, no Caju.
Greve
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a categoria reivindica reajuste salarial, alegando que os vencimentos estão defasados e cobram melhores condições de trabalho, com a instalação de banheiros e bebedouros nos terminais. Além disso, os trabalhadores também denunciam o aumento da violência, com sequestros e a utilização dos veículos como barricadas.
"A greve está mantida e vamos cumprir o determinado pela Justiça, que é a de que ambas as partes mantenham 50% da frota circulando nos horários de pico, ou seja, pela manhã e à noite. Inclusive já encaminhamos ofício para a direção do Rio Ônibus e consórcios para o cumprimento da tutela de urgência operacional determinado pela justiça. Até o momento ainda não recebemos nenhum retorno por parte dos empresários. Determinação é para ser cumprida e não discutir", disse Sebastião José, presidente do sindicato.
A Justiça do Trabalho determinou a legalidade da greve, mas destacou que a categoria deverá manter, ao menos, 50% da frota operacional ativa de ônibus em circulação, por linha e itinerário, durante todo o período da paralisação.
Apesar disso, de acordo com o Rio Ônibus, apenas 860 veículos estão rodando nas ruas no início desta manhã. A empresa também afirmou que neste primeiro dia de greve, 40 coletivos foram vandalizados. Além disso, informou que desde a 00h todas as garagens estão com as portas abertas e prontas para que os rodoviários coloquem a frota na rua.
"Nosso objetivo é atender à decisão judicial e, principalmente, garantir o transporte da população carioca. Vale ressaltar que, devido ao jogo do brasil, já havia uma escala com redução de frota previamente definida pela Prefeitura. Os Consórcios fazem um apelo a todos os motoristas e rodoviários para que compareçam às suas garagens para que a normalidade do serviço seja restabelecida o quanto antes, em benefício de todos", explica.
Audiência de mediação marcada para terça
Uma audiência de mediação com Tribunal Regional do Trabalho está marcada para terça (29), às 11h. Logo em seguida, às 11h30 haverá uma assembleia com a categoria. De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, a expectativa é que os rodoviários já saiam de lá com uma proposta de acordo para por fim a greve.

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