Publicado 02/07/2026 08:24 | Atualizado 02/07/2026 11:12
Rio - A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (2), a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga a lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e possível esquema com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. Os agentes cumpriram 14 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Os três alvos de prisão preventiva foram o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho; o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar; e o pastor Márcio Poncio.
PublicidadeAdilsinho e Bacellar já estão presos. O antigo deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativo do Rio (Alerj) será transferido para um presídio federal. Na ação desta quinta, Poncio - que é pastor da Igreja da Nuvem, dono de uma fábrica de cigarros e suplente de deputado federal - foi detido pelos agentes. O empresário tem dois filhos, a deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade) e o cantor Saulo Poncio, frutos do casamento com Simone Poncio.
Os policiais também cumpriram busca e apreensão contra o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. Nas redes sociais, a advogada dele, Patrícia Proetti, se pronunciou sobre a investigação. "Marco Antônio Cabral recebeu um mandado de busca de apreensão, cujo cumprimento ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades. Ele nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita. Marco Antônio reafirma seu respeito às instituições e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários".
Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Além disso, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores de cerca de R$ 22 milhões. A nova fase da operação iniciou após listas encontradas com o contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos a agentes políticos do Estado do Rio.
As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema.
A reportagem tenta contato com as defesas dos acusados, mas ainda não obteve respostas. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Operação Unha e Carne
A primeira fase da operação ocorreu em dezembro de 2025, e teve como alvo o então presidente da Assembleia Legislativo do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ele foi preso por vazamento de informações sigilosas de uma investigação que prendeu o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, por negociar armas para o Comando Vermelho (CV). Neste período, Bacellar foi solto.
A primeira fase da operação ocorreu em dezembro de 2025, e teve como alvo o então presidente da Assembleia Legislativo do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ele foi preso por vazamento de informações sigilosas de uma investigação que prendeu o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, por negociar armas para o Comando Vermelho (CV). Neste período, Bacellar foi solto.
Ainda em dezembro, a segunda fase da ação mirou o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), também em decorrência de investigações sobre o vazamento de informações da prisão de TH Joias. Júdice Neto era o relator do processo do ex-deputado estadual.
Bacellar - que foi cassado - voltou a ser detido na terceira operação. Já na fase seguinte, os agentes prenderam o deputado estadual Thiago Rangel (Avante). A ação investigou fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços da Secretaria de Educação do Estado do Rio (Seeduc). Segundo a PF, o parlamentar teria oferecido cargos na Seeduc ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como "Júnior do Beco".
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