Café Lamas, de 152 anos, ficará fechado para obras após incêndioÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 06/07/2026 17:17 | Atualizado 06/07/2026 17:37
Rio - O tradicional Café Lamas, um dos maiores símbolos da gastronomia carioca, iniciou uma campanha de financiamento coletivo para ajudar na recuperação do restaurante. No dia 16 de junho, um incêndio que atingiu instalações do restaurante, no Flamengo, Zona Sul. 
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Com as portas fechadas desde o incidente, a direção da casa tenta reunir recursos para custear despesas emergenciais, preservar empregos e acelerar as obras necessárias para a retomada das atividades. A meta da vaquinha é de R$ R$ 2 milhões. 

Fundado há mais de 150 anos, o estabelecimento atravessou gerações, crises econômicas, mudanças urbanas e transformações na própria cidade. Agora, enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente.

Um dos proprietários do restaurante, Milton Brito contou a O DIA que a ideia da vaquinha surgiu após insistência da própria clientela, que passou a procurar formas de colaborar com a reconstrução.

"O incêndio ocorreu no dia 16 de junho e destruiu a cozinha. Acionamos o seguro, mas toda a parte burocrática leva tempo. A própria clientela pediu, exigiu que a gente fizesse um financiamento coletivo. Então pensamos que poderia ser uma boa ideia", disse.

Embora o seguro tenha sido acionado logo após o incêndio, os responsáveis afirmam que a cobertura não será suficiente para absorver todos os custos provocados pela paralisação. 
A vaquinha virtual foi lançada com um objetivo urgente e distinto da cobertura do seguro. Ela visa garantir o sustento imediato dos garçons, cozinheiros e ajudantes que dependem das diárias e gorjetas para manter as próprias famílias. Além disso, a campanha auxilia com despesas emergenciais que não estão previstas na apólice padrão do seguro. É uma rede de proteção para a equipe enquanto a casa não pode retomar o atendimento.

"Os salários, os impostos e as despesas não param. As contas continuam chegando todos os dias e o restaurante está totalmente parado", afirmou Milton.

A campanha também busca garantir estabilidade para os cerca de 30 a 35 funcionários que dependem diretamente do funcionamento da casa.

O incêndio começou na cozinha do restaurante. De acordo com relatos de funcionários ouvidos na época, o problema teria sido provocado por uma fritadeira que apresentou falha e deu origem às chamas. O fogo se espalhou rapidamente pelo setor e a fumaça tomou conta do salão. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. Vistorias posteriores apontaram que não houve comprometimento estrutural do imóvel, mas toda a parte elétrica da cozinha precisará ser refeita.

Sem previsão oficial para reabrir, o Café Lamas segue cercado pela expectativa de clientes que diariamente perguntam quando poderão voltar a frequentar o espaço.

"Todo mundo pergunta quando vai abrir. Eu ainda não tenho uma data para dizer, mas será logo. Não vamos demorar muito", garantiu o proprietário.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Carioca, o Lamas faz parte da memória afetiva da cidade. Ao longo de sua trajetória, recebeu nomes como Machado de Assis, Ruy Barbosa, Olavo Bilac e Getúlio Vargas. Hoje, além da reconstrução física, a mobilização busca preservar um dos últimos grandes ícones da história gastronômica do Rio. 

"A tristeza é grande, mas as pessoas têm ajudado da forma que podem, sem exigência de valor. Isso nos dá força para seguir em frente", concluiu Milton Brito.
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