Agentes cumprem 19 mandados de busca e apreensãoReprodução
Publicado 07/07/2026 08:06 | Atualizado 07/07/2026 12:27
Rio - Policiais federais realizam, na manhã desta terça-feira (7), uma operação contra um grupo suspeito de usar uma rede de postos de combustíveis, na Região Metropolitana, para lavar dinheiro. De acordo com as investigações, há participação de agentes públicos no esquema, que já movimentou R$ 7,6 bilhões. O ex-secretário de Polícia Civil, delegado Marcus Amim, e o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), são alvos.
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A sexta fase da Operação Unha e Carne tem objetivo de cumprir 19 mandados de busca e apreensão na capital; em Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, na Região Metropolitana; e em Resende, no Sul Fluminense. Além disso, também houve o sequestro de bens e valores de suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.
Na casa de um dos alvos da ação, no bairro de Camboinhas, em Niterói, os agentes apreenderam carros de luxo, armas, munições, dinheiro, relógios e mais. Já em outro endereço, localizado em Piratininga, no mesmo município, os policiais também realizaram a apreensão de veículos luxuosos.
Márcio Canella é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, partido que preside no Rio. Já o delegado Marcus Amim também é ex-chefe de segurança na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Já a movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões ocorreu nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à PF.

Além de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que poderão surgir no decorrer das investigações.

A ação desta terça se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa à desarticulação de organizações criminosas atuantes no Estado do Rio, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635.
Questionada, a Polícia Civil enviou nota na qual informa que a Corregedoria-Geral da instaurou uma investigação disciplinar para apurar os fatos. A corporação também afirmou que "acompanha o caso de perto e reafirma que não compactua com eventuais desvios de conduta".
A Polícia Civil segue destacando que possui mecanismos de controle interno "voltados à apuração de irregularidades e colabora com os demais órgãos sempre que necessário" e que mantém um compromisso "com a legalidade, a transparência e a correta prestação do serviço público à sociedade".
A reportagem busca a defesa de Canella e Amim. O espaço está aberto para manifestação.
Operação Unha e Carne
A primeira fase da operação aconteceu em dezembro de 2025 e teve como alvo o então presidente da Assembleia Legislativo do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ele foi preso por vazamento de informações sigilosas de uma investigação que prendeu o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, por negociar armas para o Comando Vermelho (CV). Neste período, Bacellar foi solto.
Ainda em dezembro, a segunda fase da ação mirou o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), também em decorrência de investigações sobre o vazamento de informações da prisão de TH Joias. Júdice Neto era o relator do processo do ex-deputado estadual.
Bacellar - que foi cassado - voltou a ser detido na terceira operação. Na quarta fase, agentes prenderam o deputado estadual Thiago Rangel (Avante). A ação investigou fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços da Secretaria de Educação do Estado do Rio (Seeduc). Segundo a PF, o parlamentar teria oferecido cargos na pasta ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como "Júnior do Beco".
A quinta fase, realizada na última quinta-feira (2), teve como objetivo investigar a lavagem de dinheiro da nova cúpula do jogo do bicho e possível esquema com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. Três alvos de prisão preventiva foram o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, que já estava preso; o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estava encarcerado; e o pastor Márcio Poncio.
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