Rodrigo Bacellar, Adilsinho e Márcio Poncio são alvos de operação da PFReprodução / Érica Martin / Arquivo O DIA / Reprodução

Rio - A Polícia Federal deflagra, nesta quinta-feira (2), a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga a lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e possível esquema com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. Os agentes cumprem 14 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Os três alvos de prisão preventiva são o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho; o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar; e o pastor Márcio Poncio.
Adilsinho e Bacellar já estão presos. Também é cumprido busca e apreensão contra um dos filhos do ex-governador Sérgio Cabral. Os mandados foram expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Além disso, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores de cerca de R$ 22 milhões.
A nova fase da operação iniciou após listas encontradas com o contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos a agentes políticos do Estado do Rio.
As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema.
A reportagem tenta contato com as defesas dos acusados, mas ainda não obteve respostas. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Operação Unha e Carne

A primeira fase da operação ocorreu em dezembro de 2025, e teve como alvo o então presidente da Assembleia Legislativo do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ele foi preso por vazamento de informações sigilosas de uma investigação que prendeu o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, por negociar armas para o Comando Vermelho (CV). Neste período, Bacellar foi solto.
Ainda em dezembro, a segunda fase da ação mirou o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), também em decorrência de investigações sobre o vazamento de informações da prisão de TH Joias. Júdice Neto era o relator do processo do ex-deputado estadual.
Bacellar - que foi cassado - voltou a ser detido na terceira operação. Já na fase seguinte, os agentes prenderam o deputado estadual Thiago Rangel (Avante). A ação investigou fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços da Secretaria de Educação do Estado do Rio (Seeduc). Segundo a PF, o parlamentar teria oferecido cargos na Seeduc ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como "Júnior do Beco".