Café Lamas, no Flamengo, Zona Sul do Rio, fechou após incêndioReginaldo Pimenta / Agência O DIA
Publicado 28/07/2026 18:29
Rio - Bares do Rio e de São Paulo promovem, entre quinta-feira (31) e sábado (2), uma ação solidária para ajudar na reconstrução do Café Lamas, no Flamengo. Nesses dias, os estabelecimentos vão destinar o lucro da venda de um prato ou petisco para as obras do tradicional bar carioca. A iniciativa acontece mais de um mês após o incêndio que destruiu a cozinha do restaurante mais antigo do Brasil.
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A mobilização surgiu entre proprietários de estabelecimentos de São Paulo e do Rio, somando esforços à campanha de financiamento coletivo criada pelo próprio Lamas. A vaquinha tem como objetivo arrecadar recursos para cobrir despesas que não serão totalmente contempladas pelo seguro, além de ajudar a preservar os empregos da equipe durante o período em que a casa permanecer fechada. A meta é alcançar R$ 2 milhões. Após o incêndio, o restaurante informou que os salários, impostos e demais despesas continuam, mesmo com as atividades paralisadas.
Proprietário do Bar Pirajá detalha o que sentiu ao saber do incêndio, devido à relevância do bar para a gastronomia. O Café Lamas, inclusive, inspirou a criação do próprio negócio há quase três décadas.
"O Lamas foi super importante para a gente lá nas pesquisas iniciais em 1997. Era um dos bares icônicos da boemia carioca. [...] O bar seguiu a sua trajetória e agora nos últimos tempos ele tinha andado um pouco decadente, sofreu esse incêndio e parou totalmente as suas atividades. E aí, quando eu vi essa informação, fiquei bem chateado. Fiquei pensando: 'Não pode fechar. Um bar com mais de 150 anos, uma raridade'. [...] E aí, fui atrás de contato, obviamente com os donos do Lamas, para saber se eles tinham interesse [em fazer] alguma campanha", lembra.
Sócio do Beco do Rato, na Lapa, Lucio Pacheco também destaca a importância histórica da casa e afirma que a rápida adesão dos bares demonstra o respeito pelo restaurante. "Os bares tradicionais do Rio, como o Beco do Rato e Galeto Sat's, e de São Paulo, como o Pirajá, se inspiram nos bares como o Lamas. É um bar tradicional, centenário, uma história incrível e a gente não pode deixar morrer desse jeito, se apagar dessa forma", opina o empresário, que complementa:
"Todos os acionados prestaram um pronto atendimento. Isso demonstra a união da galera, o carinho e o respeito. O Lamas tem uma história muito importante para o Rio de Janeiro, contribuiu para a cultura carioca. É um bar de 150 anos. Desejo que ele volte a dar brilho no rosto dos seus clientes. É o que mais gostamos de ver como donos de bares. O sorriso e a satisfação dos clientes".
Localizado no Maracanã, Zona Norte, o Bar Bode Cheiroso também aderiu à mobilização. Para o proprietário, Leonardo Lelê, a iniciativa reflete a união entre os bares diante de uma situação que pode atingir qualquer estabelecimento.

"A motivação é a empatia. Qualquer negócio está sujeito a isso, a um incêndio. Isso é capaz de acabar com a vida de muita gente. Não é só o bar, muita gente depende disso também. Nossa motivação é ajudar, nos colocarmos no lugar do próximo. A iniciativa partiu de um grupo nosso, de bares, e estamos sempre ajudando um ao outro. Não pensamos duas vezes, o grupo todo engajou. O Lamas é importantíssimo para o Rio de Janeiro, a gente não tem nem noção de como era a cidade há 150 anos. O restaurante se manter durante todo esse tempo… Imagino o quão difícil foi e, agora, está ainda mais difícil", afirma.

Funcionários aguardam início das obras

Enquanto a mobilização ganha força entre clientes e empresários do setor, o equipe do Café Lamas segue afastada das atividades. Subgerente da casa desde 1986, Antônio Lima afirma que os funcionários aguardam a conclusão dos trâmites com a seguradora para que a reforma possa começar.

"É uma vida inteira trabalhando na casa. Os funcionários estão em casa, aguardando. Estamos dependendo do seguro para começarmos as obras e voltarmos a funcionar. Por enquanto, estamos parados, todo mundo em casa", lembra.

O incêndio aconteceu na tarde de 16 de junho e ficou concentrado na cozinha do restaurante. Ninguém ficou ferido, mas o fogo destruiu o setor e obrigou a reconstrução de toda a parte elétrica da cozinha. Vistorias apontaram que o imóvel não sofreu danos estruturais, mas a casa continua fechada desde então.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Carioca, o Café Lamas é um dos restaurantes mais tradicionais do país e integra a memória afetiva da cidade. Ao longo da história, recebeu nomes como Machado de Assis, Olavo Bilac e Getúlio Vargas.
Campanha
Também integram a campanha os bares Bafo da Prainha, Dois de Fevereiro, Casa Porto e Capiau Botequim, no Centro; Bar da Frente, na Praça da Bandeira e em Copacabana; Sofia, na Praça da Bandeira; Bar do Trotta, Conserva Bar e Da Gema, em Copacabana; Botica e Porco Amigo Bar, em Botafogo; Bracarense, no Leblon; Curadoria, em Botafogo e na Barra da Tijuca; Galeto Sat's, em Copacabana e Barra da Tijuca; Enchendo Linguiça, no Grajaú; Miudinho, no Maracanã; Bar Madrid e Momo, na Tijuca; Bar Velho Adonis, em Benfica; Bar da Portuguesa, em Ramos; Cachambeer, no Cachambi; além do Braca, em São Paulo.
Cada empreendimento escolheu um prato ou petisco diferente para participar da iniciativa, como o tradicional Bife Oswaldo Aranha, macarronese, moqueca, moela milanesa, salada de língua com molho tártaro e picles, espeto de carne com bacon e mais. O lucro de cada iguaria será revertido para a reconstrução do Café Lama.
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