Café Lamas, de 152 anos, ficará fechado para obras após incêndioÉrica Martin / Agência O Dia
Fundado há mais de 150 anos, o estabelecimento atravessou gerações, crises econômicas, mudanças urbanas e transformações na própria cidade. Agora, enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente.
Um dos proprietários do restaurante, Milton Brito contou a O DIA que a ideia da vaquinha surgiu após insistência da própria clientela, que passou a procurar formas de colaborar com a reconstrução.
"O incêndio ocorreu no dia 16 de junho e destruiu a cozinha. Acionamos o seguro, mas toda a parte burocrática leva tempo. A própria clientela pediu, exigiu que a gente fizesse um financiamento coletivo. Então pensamos que poderia ser uma boa ideia", disse.
Embora o seguro tenha sido acionado logo após o incêndio, os responsáveis afirmam que a cobertura não será suficiente para absorver todos os custos provocados pela paralisação.
"Os salários, os impostos e as despesas não param. As contas continuam chegando todos os dias e o restaurante está totalmente parado", afirmou Milton.
A campanha também busca garantir estabilidade para os cerca de 30 a 35 funcionários que dependem diretamente do funcionamento da casa.
O incêndio começou na cozinha do restaurante. De acordo com relatos de funcionários ouvidos na época, o problema teria sido provocado por uma fritadeira que apresentou falha e deu origem às chamas. O fogo se espalhou rapidamente pelo setor e a fumaça tomou conta do salão. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. Vistorias posteriores apontaram que não houve comprometimento estrutural do imóvel, mas toda a parte elétrica da cozinha precisará ser refeita.
Sem previsão oficial para reabrir, o Café Lamas segue cercado pela expectativa de clientes que diariamente perguntam quando poderão voltar a frequentar o espaço.
"Todo mundo pergunta quando vai abrir. Eu ainda não tenho uma data para dizer, mas será logo. Não vamos demorar muito", garantiu o proprietário.
Reconhecido como Patrimônio Cultural Carioca, o Lamas faz parte da memória afetiva da cidade. Ao longo de sua trajetória, recebeu nomes como Machado de Assis, Ruy Barbosa, Olavo Bilac e Getúlio Vargas. Hoje, além da reconstrução física, a mobilização busca preservar um dos últimos grandes ícones da história gastronômica do Rio.
"A tristeza é grande, mas as pessoas têm ajudado da forma que podem, sem exigência de valor. Isso nos dá força para seguir em frente", concluiu Milton Brito.












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