Sofia Murillo tinha cerca de 250 mil seguidores nas redes sociaisReprodução / Redes Sociais
Publicado 09/08/2026 14:06
Rio - A adolescente colombiana Sofia Murillo, de 17 anos, que morreu na queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, na Zona Norte, atuava como criadora de conteúdo de maquiagem e beleza. Somando duas de suas redes sociais, ela tinha cerca de 250 mil seguidores.
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A jovem postava fotos e vídeos mostrando sua rotina ligada ao universo da beleza. Sofia mostrava um lado criativo para ensinar a reprodução de penteados, compartilha fotos na academia e de suas roupas. Apenas no TikTok, mais de 200 mil pessoas a acompanhavam.
A colombiana estava no Rio à passeio, junto com a mãe, a avó e o tio para celebrar o aniversário da prima, de 15 anos. Neste sábado (8), ela embarcou em um helicóptero para fazer um voo panorâmico pela cidade. No entanto, a aeronave caiu em uma área de mata na região do mirante da Vista Chinesa. Murillo teve seu corpo carbonizado.
Além de Sofia, morreram a mãe Wendy Manrique, de 37 anos, a avó Rocio Cubillos, 59, e o piloto Alessandro Rocha.
Parente pede suspensão de voos
O engenheiro Victor Manrique, tio da adolescente, esteve no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro do Rio, para liberar e reconhecer os corpos dos familiares, na manhã deste domingo (9). No local, ele pediu a suspensão dos voos panorâmicos no município, lembrando do acidente ocorrido em junho - também envolvendo helicópteros - que causou a morte de seis pessoas, incluindo o cantor Oliver Tree.
"Entenderia se no Rio não voariam helicópteros em voos panorâmicos. A operação deveria ser, no mínimo, suspensa. Sinceramente, quero que nenhuma outra família, que venha à essa bonita cidade conhecê-la, termine em tragédia. Todos no Rio foram espetaculares. Só quero que ninguém viva o que vivemos", destacou.
Victor lembrou que contratou o serviço da empresa Voo Rio Panorâmico através do WhatsApp, mas afirmou que não recebeu apólice de seguro nem nota fiscal. Segundo ele, a falta de documentos causou estranheza. O engenheiro contratou o passeio panorâmico para este sábado (8) e, como eram seis passageiros, acabou sendo necessária a divisão em dois voos. Rocio, Wendy e Sofia embarcaram no primeiro, mas não voltaram. Elas são mãe, irmã e sobrinha do homem, respectivamente.
O engenheiro ficou em um hangar do Aeroporto de Jacarepaguá junto da companheira e da filha, Laura, que era a aniversariante da viagem. De acordo com Manrique, a demora para o retorno do helicóptero com os parentes o preocupou. Ainda mais quando não o informaram sobre a queda.
"O voo estava programado para ser em 20 minutos. Passaram 30 e não voltaram. Comecei a perguntar o que estava acontecendo. Informaram que o piloto teve que fazer uma aterrissagem forçada. Não disseram que caíram. Já sabiam que tinham uma emergência e não falaram. Passou uma hora que não tínhamos uma resposta oficial, buscamos na internet informações sobre o acidente. Era a mesma zona, o mesmo horário e a mesma quantidade de pessoas. Já sabíamos que era eles. O aeroporto seguiu funcionando na normalidade. Não creio que seja o protocolo correto. Eu entendo que, se um helicóptero caiu, deveria suspender todas as operações, mas tudo seguiu com normalidade", completou.
O corpo das vítimas ainda não foi liberado. Devido ao cadáveres estarem carbonizados, a identificação terá que ocorrer pela arcada dentária. Documentos vindos da Colômbia serão analisados.
"É um momento difícil. Não sei se há uma pessoa mais triste no planeta no dia de hoje. Perdi a minha mãe, minha irmã e minha sobrinha. Nós entendemos que a liberação pode demorar, dependendo do estado dos corpos. Estamos trazendo as placas dentárias da Colômbia para ser mais rápido, mas ainda não temos um tempo de resposta", finalizou Victor.
Ainda não há informações sobre os enterros das vítimas.
O que diz a empresa?
No IML, Eliane Ambrósio - representante da Voo Rio Panorâmico - afirmou que todos os documentos estão sendo verificados, mas que a prioridade é dar suporte às famílias das vítimas.
"Quando a pessoa faz qualquer compra, você faz um contrato. No momento em que você acessa o produto e concorda com os termos colocados, você está assinando um contrato. Tudo está sendo tratado, o seguro foi acionado e a empresa sempre seguiu as normas de segurança. Isso tudo será investigado e verificado. Nós vamos dar todo acesso à tudo. A empresa jamais vai se omitir e deixar de dar o suporte. A preocupação agora é acolher a família e fazer tudo que a gente puder para dar um conforto", contou.
Segundo Eliane, a demora de avisar a família sobre a queda do helicóptero ocorreu porque não queriam dar informações precipitadas.
"Quando a gente soube, mobilizamos uma equipe para ir até o local. Tudo chegou de uma forma truncada. Não sabíamos o que tinha acontecido. Não queríamos ser levianos e passar uma informação para a família, que fosse uma informação inverídica, que não fosse a realidade. Pegamos a família e seguramos para dar esse apoio. Assim que a gente teve a informação do óbito, nós comunicamos. Ficamos com eles o tempo todo", ressaltou.
A representante da empresa afirmou que cuidou do translado de familiares da Colômbia para o Brasil - como o pai da adolescente morta - e hospedagem.
"Estamos procurando dar todo suporte para essas famílias nesse momento de dor terrível. Nada vai compensar essa perda, mas a gente poder dar o acolhimento e suporte, para que não se sintam desamparados. É a nossa principal preocupação", disse.
Ambrósio completou que todas as certificações da empresa e da aeronave estão em dia. "A gente trabalha dentro da total legalidade, tudo que a legislação exige. Não temos nada a esconder."
Investigação
A Força Aérea Brasileira (FAB), através do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), informou que os investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), com sede no Rio, foram acionados para realizar a Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave.
Durante a Ação Inicial, realizada logo depois do evento, investigadores qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para a coleta e confirmação de dados, a verificação dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações relevantes.
Nessa etapa, reúnem-se elementos que subsidiarão as fases posteriores da investigação, as quais têm por finalidade identificar possíveis fatores contribuintes para a queda, quando aplicável, permitir a emissão de Recomendações de Segurança voltadas à prevenção de novas ocorrências.
Questionada sobre o caso, a Polícia Civil informou que a investigação está em andamento na 19ª DP (Tijuca), que a perícia já foi realizada e que os agentes aguardam um laudo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
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