Carros foram apreendidos na operaçãoReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Publicado 11/08/2026 07:51
Rio - A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (11), uma operação para desarticular um grupo especializado em adulteração de medidores de gás natural. Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) cumpriram 12 mandados de busca e apreensão. Um homem foi preso em flagrante por furto de energia.
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As equipes da especializada atuaram na capital; em Nova Iguaçu e Belford Roxo, na Baixada Fluminense; e em Congonhas, município de Minas Gerais. A Operação Medida Certa contou com o apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da concessionária Naturgy.
Além da residência de investigados, os policiais estiveram em oficinas responsáveis pela manutenção de medidores e em postos de combustíveis. Três carros, dispositivos eletrônicos (celulares e notebooks), cartões, uma pistola, munições e dinheiro em espécie foram apreendidos.
De acordo com as investigações, a quadrilha possui uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e elevado conhecimento técnico, para explorar vulnerabilidades operacionais e atingir os equipamentos da empresa responsável pela distribuição de gás natural.
A DDSD identificou que os medidores eram submetidos a intervenções clandestinas, com substituição de componentes internos, adulteração dos mecanismos de funcionamento, alteração de identificações e reaproveitamento irregular, permitindo sua reinserção em atividades econômicas.
A especialização dos integrantes do grupo era um dos elementos que permitiam a execução do esquema. As apurações apontaram que o grupo reunia pessoas com conhecimento em sistemas de medição, manutenção e operação de equipamentos utilizados no segmento de gás natural veicular (GNV). Com o domínio técnico sobre os equipamentos, os criminosos conseguiam realizar intervenções de difícil detecção e dar nova utilização a medidores que haviam sido desviados da concessionária.
"Nós conseguimos comprovar que esses medidores eram retirados de dentro de laboratórios de aferição da concessionária e eram levados para oficinas, onde tinham as peças adulteradas. Uma vez adulterados, eles voltavam para a oficina com selo que estavam auferidos e eram inseridos nos postos para que o gás que o posto consumia marcasse um valor menor no medidor do que era cobrado. Havia prejuízo para a Naturgy, que por sua vez, acabava repassando o prejuízo ao consumidor, que é a verdadeira vítima desse crime", destacou o delegado Pedro Brasil, titular da DDSD.
Os agentes descobriram a participação de um funcionário terceirizado, que tinha acesso privilegiado às dependências da empresa. Ele monitorava a movimentação de equipamentos, fornecia informações estratégicas e ainda facilitava a retirada dos medidores. Depois que os equipamentos deixavam a concessionária, outros integrantes assumiam as etapas de transporte, adulteração, comercialização e reutilização.
O acesso privilegiado era usado para antecipar a proprietários e a administradores de postos de combustíveis informações sobre datas, locais e equipes responsáveis por fiscalizações realizadas pela concessionária e por órgãos de segurança pública.
Esse aviso prévio permitia que os estabelecimentos - potencialmente envolvidos nas irregularidades - adotassem medidas para ocultar evidências, interromper temporariamente práticas ilícitas e frustrar a fiscalização.
"Ele era contratado por uma empresa, que fazia aferição e medição de medidores. Esse funcionário, com essas informações privilegiadas, não só subtraía os equipamentos para fraudá-los, como também passava informações de fiscalização que iriam ocorrer para donos de postos, para que se precavessem e não fossem multados ou tivessem os serviços cortados. Não era só um esquema de fraude, mas também de vazamento", explicou Brasil.
Um dos principais avanços da investigação, que gerou a operação desta terça, ocorreu após a análise pericial de dispositivos eletrônicos apreendidos em uma etapa anterior. Os policiais também identificaram empresas formalmente constituídas e atuantes no segmento de instalação e manutenção de equipamentos de GNV. A DDSD apura se elas foram usadas para viabilizar parte das intervenções realizadas nos equipamentos. A participação de cada pessoa física e jurídica ainda é objeto de investigação.

Além do prejuízo patrimonial causado à Naturgy, a especializada investiga os impactos das adulterações sobre a confiabilidade dos sistemas de medição e a segurança da infraestrutura de distribuição de gás natural, utilizada por diferentes setores da economia.
Os suspeitos poderão responder pelos crimes de furto qualificado, receptação qualificada, associação criminosa, estelionato e outros delitos que possam ser identificados no decorrer da investigação.
Questionada, a Naturgy informou que trata-se de uma operação sigilosa e, assim que tomou conhecimento das irregularidades, notificou imediatamente a Polícia Civil, que prontamente respondeu com investigação detalhada. Desde então, a empresa afirmou que vem fornecendo todas as informações solicitadas pelos investigadores. A companhia destacou que segue à disposição para colaborar com a investigação.
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