Carla Lemos, mulher vítima de agressão na LapaReprodução/Redes sociais
Publicado 11/08/2026 20:43
Rio — A escritora, influenciadora e ativista feminista Carla Lemos afirma ter sofrido agressões durante uma roda de samba realizada na Fundição Progresso, na Lapa, na madrugada de sexta-feira (7). O episódio terminou com atendimento médico e seis pontos de sutura no supercílio da vítima.
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Segundo Carla, a confusão começou após ela retornar do banheiro e encontrar dois homens próximos ao grupo de amigos. Um deles apresentava sinais de embriaguez e, conforme o relato, passou a esbarrar nas pessoas ao redor. Esse rapaz seria o suspeito de tê-la agredido, identificado como Lucas Braz.

A influenciadora conta que pediu para o homem se afastar. Pouco depois, a situação teria se agravado. Ela afirma ter recebido um empurrão e, na sequência, dois socos no rosto, além de puxões de cabelo. O golpe, segundo ela, provocou bastante dor.
Depois, ela afirma ter levado outro soco, dessa vez na testa, que também causou dor e ardência. A influenciadora diz que tentou se defender enquanto outras pessoas começaram a se juntar ao redor dela. Em meio à confusão, ela ouviu a mulher que estava no palco alertar o público sobre o que estava acontecendo.

“Só lembro da violência”, relatou Carla em uma publicação nas redes sociais.

Durante a confusão, uma mulher que estava no palco teria interrompido o samba e alertado o público sobre a ocorrência. Segundo Carla, ela ouviu a frase “estão agredindo uma mulher, ela está sangrando” e percebeu que sua mão estava coberta de sangue.

A Polícia Militar recebeu o chamado para atender uma ocorrência de agressão na Rua dos Arcos. Agentes do 5º BPM (Centro) encaminharam os envolvidos para atendimento médico e, posteriormente, todos seguiram para a 5ª Delegacia de Polícia.

A Polícia Civil ouviu os envolvidos e testemunhas e encaminhou Carla para exame de corpo de delito. O caso acabou registrado como lesão corporal e segue em apuração.

A advogada da influenciadora, Thaiz Sardinha, afirma que Carla formalizou representação criminal contra Lucas Braz, apontado como suspeito da agressão. Segundo a defesa da vítima, testemunhas teriam confirmado que a violência partiu do homem, enquanto imagens de segurança do local também podem ajudar a esclarecer o episódio.

A defesa de Lucas apresenta outra versão. As advogadas Gabrielly Caldeira Lima Cruz e Flavynia Mozzara Ventura Silva afirmam que a confusão começou após um amigo do suspeito sofrer uma suposta ofensa racial. Segundo elas, o episódio desencadeou uma briga envolvendo várias pessoas.

As representantes negam que Lucas tenha procurado Carla com intenção de agredi-la e afirmam que ele também sofreu ferimentos durante o tumulto. A defesa sustenta que a dinâmica dos fatos ainda depende da análise das imagens, depoimentos e demais provas.

A Fundição Progresso, local onde o samba aconteceu, postou uma nota lamentando o ocorrido e relatando que levou o caso à delegacia mais próxima.

"Infelizmente algo terrível aconteceu no nosso ambiente de trabalho na última quinta-feira. Logo depois de pararmos a roda para dar o recado que damos toda quinta-feira, de que não toleramos misoginia e qualquer tipo de preconceito, uma mulher foi brutalmente agredida.

Nós, a equipe da casa, o público em volta, os amigos; todos agiram o mais rápido possível para socorrer. Depois do ocorrido, fizemos o que sempre pregamos. Fomos até o fim e ficamos na delegacia até o final do trâmite legal. Mas não foi suficiente. O agressor saiu de lá andando e rindo.

A proteção de uma mulher contra a violência de gênero não pode depender dela conhecer ou ter mantido uma relação afetiva com seu agressor. Se a violência acontece porque ela é mulher, o Estado precisa protegê-la como vítima de violência de gênero em todos os lugares, em casa, no trabalho, na rua, numa festa ou em qualquer outro espaço. Esse é nosso compromisso.", diz a nota.
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