Publicado 20/08/2026 13:21 | Atualizado 20/08/2026 13:59
Rio - A Justiça do Rio marcou para o dia 26 de novembro o julgamento dos policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, réus pela morte da modelo Kathlen Romeu, ocorrida em junho de 2021, em Lins de Vasconcelos, na Zona Norte.
PublicidadeA vítima, de 24 anos, estava grávida de quatro meses quando foi baleada no tórax durante uma ação de agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo do Lins. Ela chegou a ser socorrida, sendo levada ao Hospital Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu ao ferimento.
Marcos e Rodrigo são acusados de efetuar os disparos. Os PMs realizavam patrulhamento de rotina na região onde a mulher passava com a avó. Eles alegaram que houve troca de tiros com traficantes.
Em março de 2025, a juíza Elizabeth Machado Louro, titular da 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), determinou que os policiais fossem a júri popular. Desde então, o julgamento não tinha data.
Ao DIA, Jacklline Oliveira, de 45 anos, mãe de Kathlen, revelou a expectativa para a sessão. Segundo ela, os jurados devem fazer justiça, o que ela chama de "reparo social".
"Espero que não compactuem com essa barbárie. A sociedade costuma se comover pela vida do assassino, mas esquece da dor da covardia que nós familiares e amigos levaremos para toda vida! O Estado legitimou que esses assassinos fardados apertassem esse gatilho, pois pra eles preto, pobre e favelado, são corpos matáveis. Nós, que lutamos pelo direito à vida independente de cor, classe social e CEP, seguiremos juntos, cobrando por memória, verdade, reparação e justiça por minha filha e meu neto. Se minha filha ou qualquer um de nós tivéssemos apertado esse gatilho, já seriam cinco anos e dois meses encarcerados. São cinco anos de espera e finalmente sentaremos esses covardes no banco dos réus e esperamos que sejam condenados, expulsos e presos!", contou.
Condenação por fraude
Em março desse ano, Rodrigo, Marcos e o PM Rafael Chaves de Oliveira foram condenados a dois anos e 15 dias, em regime aberto, pelo crime de fraude processual. As investigações constataram que o trio alterou a cena do crime antes da chegada da perícia ao local.
A decisão dos desembargadores da 6ª Câmara Criminal do TJRJ acolheu um recurso do Ministério Público do Rio (MPRJ) contra a absolvição dos acusados pela Auditoria da Justiça Militar, que ocorreu em julgamento realizado em agosto de 2025.
A denúncia do MPRJ indicou que Rafael removeu os cartuchos de munições apresentados por Rodrigo, com anuência de Marcos, na delegacia onde a ocorrência foi registrada. Os três tiveram o intuito de alegar que Kathlen morreu baleada durante um confronto entre os policiais e criminosos. O desembargador Marcelo Anátocles, no entanto, destacou que não há indicativos de um tiroteio no local.
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