Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) cumpre mandados de prisão Divulgação/MPRJ
Publicado 27/08/2026 10:01 | Atualizado 27/08/2026 11:52
Rio - Dois policiais militares foram presos, na manhã desta quinta-feira (27), em uma operação do Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar. Os PMs são acusados de envolvimento com uma milícia atuante em Curicica, na Zona Sudoeste, e com o Terceiro Comando Puro.
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Segundo a denúncia do MPRJ, Jorge Anastácio Rodrigues Simões, lotado no 4º BPM (São Cristóvão), e Leo Carlos Araújo Santos, do 2º BPM (Botafogo), forneceram e intermediaram a compra de armas e munições para as duas organizações criminosas.
Os agentes respondem pelos crimes de constituição de milícia privada, associação para o tráfico de drogas com emprego de arma de fogo e comércio ilegal de armas e munições de uso restrito. Além deles, mais 18 pessoas também foram denunciadas pelos delitos.
Nesta quinta, a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MPRJ, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, esteve nas ruas para cumprir mandados de prisão preventiva contra os 20 denunciados. Além dos policiais, uma terceira pessoa foi detida.
De acordo com o MPRJ, a milícia de Curicica possui estrutura hierarquizada e divisão de tarefas. André Costa Bastos, conhecido como Boto ou Redbull, mesmo preso no sistema penitenciário federal, seria o responsável pelo comando estratégico. Já Osmar Silva de Souza, o Messi ou Novinho, exerceria a liderança operacional do grupo.
"A organização teria como fontes de financiamento a cobrança de valores extorsivos de moradores e comerciantes, além da prática sistemática de roubos de veículos e cargas em Jacarepaguá e regiões próximas", explicou o órgão.
As investigações apontaram uma aliança entre a milícia e integrantes do TCP, atuantes nos complexos da Maré e da Pedreira, na Zona Norte. O MPRJ identificou que há um pacto de não agressão e cooperação operacional.
O objetivo seria o apoio mútuo contra grupos rivais, especialmente o Comando Vermelho, além da facilitação do comércio de armas e drogas. Nesse contexto, Yuri Guimarães Soares, o "Lirow", é apontado como elo entre a milícia e a facção.
Outro elemento da denúncia é o comércio clandestino de armas de alto poder ofensivo, incluindo fuzis de calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .223, além de pistolas e munições.
Ao decretar as prisões preventivas dos acusados, a 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), destacou a gravidade dos fatos, a estrutura das organizações, o risco de reiteração criminosa e a necessidade de preservação da ordem pública.
Questionada, a Polícia Militar informou que os PMs serão levados para a unidade prisional da corporação, em Niterói, na Região Metropolitana, e que passarão por um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), que têm como objetivo avaliar a permanência nos quadros da instituição.

A PM ainda destacou que, por meio da Corregedoria-Geral, colabora integralmente com as investigações do MPRJ.
"O comando da corporação reitera que não tolera desvios de conduta ou o cometimento de crimes por seus integrantes, adotando as medidas administrativas e disciplinares cabíveis e punindo com rigor os envolvidos sempre que as irregularidades forem devidamente constatadas", diz a nota.
A reportagem tenta localizar a defesa dos acusados. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
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