Caso aconteceu no Tribunal do Júri, no Fórum de São GonçaloDivulgação
Publicado 28/08/2026 12:54 | Atualizado 28/08/2026 12:56
Rio - O delegado Leonardo Affonso registrou ocorrência após ter sido ameaçado por um acusado durante seu depoimento como testemunha em uma audiência no Tribunal do Júri, no Fórum de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, na terça-feira (25). De acordo com o relato, o miliciano Ronan Azevedo Bento, conhecido como Jogador, teria se exaltado durante o depoimento e dito: “Vou te pegar”, acompanhado de um gesto de ameaça de morte em direção a testemunha.
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“Quando um criminoso ameaça um delegado dentro de um Tribunal do Júri, diante da magistrada, dos jurados, do Ministério Público e das defesas, não estamos diante de uma simples ameaça. É uma afronta à Justiça e ao Estado Democrático de Direito. Eu não vou me intimidar. Passei anos enfrentando organizações criminosas e continuarei fazendo isso, dentro ou fora da polícia, sempre ao lado das instituições e da sociedade", declarou o delegado.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) informou que a juíza determinou a suspensão da audiência e a retirada do acusado do plenário, além de multa por litigância de má fé. Após a audiência, Leonardo Affonso procurou a Polícia Civil e registrou uma ocorrência por coação no curso do processo. Em declaração formal, ele afirmou temer por sua integridade física e pela própria vida em razão de sua atuação em investigações contra organizações criminosas.

O delegado participou de investigações contra grupos criminosos em Niterói e São Gonçalo quando atuava na Delegacia de Homicídios. Segundo as informações apresentadas no termo de declaração, as apurações apontaram a atuação de uma milícia em bairros como Porto Velho, Porto Novo, Gradim e Porto da Madama.

Ainda de acordo com as investigações, o grupo seria envolvido em crimes como extorsões, ameaças e homicídios. Ronan Azevedo Bento, condenado a 112 anos de prisão, foi identificado como um dos executores ligados à organização. Ele seria apontado como braço armado de Anderson Cabral Pereira, conhecido como Sássa, citado como uma das lideranças do grupo.

O Ministério Público considerou que a conduta pode representar uma tentativa de intimidação de uma testemunha de acusação. Com isso, pediu à Justiça a adoção de medidas para proteger Leonardo Affonso, incluindo escolta e outras providências de segurança institucional.

O MPRJ também solicitou à Secretaria de Administração Penitenciária uma avaliação da situação de Ronan e Anderson, com possibilidade de transferência para uma unidade prisional de maior segurança, inclusive um presídio federal. O pedido inclui ainda o monitoramento de eventuais contatos que possam possibilitar novas intimidações ou represálias.
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