Publicado 31/08/2026 09:39 | Atualizado 31/08/2026 11:31
Rio - A Polícia Civil realiza, na manhã desta segunda-feira (31), uma operação contra um grupo suspeito de negociar um imóvel de forma fraudulenta. As investigações identificaram uma estrutura para movimentar e ocultar dinheiro ilegal, com objetivo de dificultar o rastreamento dos valores.
PublicidadeAgentes da 38ª DP (Brás de Pina) estão nas ruas para cumprir 12 mandados de busca e apreensão contra os alvos em endereços em Botafogo, na Zona Sul; Campo Grande, na Zona Oeste; Irajá, na Zona Norte; Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; e Maricá, na Região Metropolitana.
As apurações começaram após os agentes encontrarem indícios de que um imóvel, que havia sido alugado, teria sido negociado de forma fraudulenta por uma mulher. Durante a investigação, as equipes descobriram sinais que os envolvidos teriam utilizado uma pessoa como "laranja" para ocultar patrimônio e movimentar valores ilícitos. A estratégia teria como objetivo dificultar a identificação da titularidade de bens e recursos.
A residência está localizada em Vista Alegre, na Zona Norte do Rio. A casa tem três andares e piscina. De acordo com o delegado Bruno Ciniello, titular da 38ª DP, a principal suspeita alugou o imóvel, avaliado em cerca de R$ 800 mil de forma legal - com contrato feito por uma empresa confiável - e se apropriou com a alienação do bem.
"A suspeita alugava o imóvel e se apropriava de forma ilegal. Ela alienava esse imóvel para uma terceira pessoa, mas os documentos eram falsificados. Ela realizava um documento de cessão de posse para possibilitar a alienação do bem", disse.
Com o avanço das diligências, os policiais levantaram informações, analisaram movimentações patrimoniais e cruzaram dados relacionados aos alvos e ao imóvel. Os indícios obtidos justificaram a representação de medidas cautelares contra os suspeitos, posteriormente autorizadas pela Justiça.
Ainda de acordo com o delegado, quando a Justiça ordenou o despejo da suspeita, quem morava na casa era o ex-policial militar Daniel da Silva Manzouque, de 45 anos. Na delegacia, ele afirmou que comprou o imóvel. Contudo, o homem não tinha comprovante de pagamento da aquisição e a residência estava no nome de uma outra pessoa, que seria uma ex-companheira dele. O ex-PM foi assassinado a tiros em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no último dia 11. Endereços ligados a ele também são alvos da ação.
"A suspeita é que existe um esquema para fazer essa apropriação de imóveis de forma indevida e alienação de forma fraudulenta. Essa operação é justamente para caracterizar isso e obter elementos de provas para aprofundar as investigações. Quando saiu a decisão de despejo, o ex-PM tinha investido um dinheiro para obras de modernização. Com a decisão, ele teve que deixar o imóvel. Contratou dois pedreiros para, segundo ele, retirar tudo que havia instalado. O imóvel foi depredado também. Foi uma forma de represália por ter perdido o imóvel", completou Ciniello.
A suposta autora já tinha antecedentes de condutas semelhantes anteriormente, na parte criminal quanto na parte cível.
A suposta autora já tinha antecedentes de condutas semelhantes anteriormente, na parte criminal quanto na parte cível.
Nesta segunda, as equipes da 38ª DP cumprem os mandados em endereços relacionados à investigação. As buscas têm como objetivo localizar documentos, aparelhos eletrônicos e registros que possam contribuir no esclarecimento da negociação do imóvel, da movimentação financeira e da eventual ocultação do dinheiro.
Execução de ex-PM
O homicídio de Daniel Manzouque aconteceu no bar do Campo da Fundrep, no bairro Engenho do Porto. Imagens que circulam nas redes sociais mostram que a vítima morreu enquanto estava sentada em uma cadeira, o que indica ausência de tentativa de reação.
Segundo a Polícia Militar, testemunhas relataram a policiais do 15º BPM (Duque de Caxias) que um ocupante de uma moto atirou, entrou no estabelecimento e recolheu os pertences da vítima, fugindo em seguida.
A PM informou que a exclusão de Daniel dos quadros da corporação ocorreu em dezembro de 2023 e que ele tinha três anotações criminais. Conforme consta em processo no Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), o homem chegou a ser condenado, em 2025, pelos crimes de usura (também conhecido como agiotagem) e extorsão.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga o caso.
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