Clodoaldo Queiroz é o principal suspeito de matar Karen Mancini em Nova Friburgo Divulgação
Publicado 31/08/2026 14:17
Rio - O músico Clodoaldo Queiroz de Oliveira, conhecido como Gustavo, da dupla sertaneja Tony e Gustavo, foi condenado a 28 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato da companheira Karen Mancini, de 39 anos. O Conselho de Sentença reconheceu a autoria do crime e acolheu as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e feminicídio.
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O caso ocorreu em abril de 2024, em Lumiar, distrito de Nova Friburgo, na Região Serrana. Karen, analista do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), foi encontrada morta dentro da residência onde morava com o réu. O laudo de necropsia apontou 114 lesões espalhadas pelo corpo, além de hemorragias e traumatismo cranioencefálico.

Durante a leitura da sentença, a juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce destacou a brutalidade da agressão. Segundo a magistrada, o condenado demonstrou elevado grau de reprovabilidade ao espancar a vítima de forma contínua dentro da própria casa.

“Não se intimidou com o cometimento do crime, com audácia extremamente reprovável, espancando a vítima de forma brutal, dentro de sua própria residência, golpeando-a por todo o corpo, em especial na região da cabeça”, registrou a juíza na decisão.

A magistrada também ressaltou que Clodoaldo não prestou socorro após as agressões. Conforme a sentença, a omissão agravou a conduta do acusado diante da gravidade dos ferimentos sofridos por Karen.

Outro trecho da decisão enfatiza a crueldade empregada na ação. Os jurados entenderam que a quantidade de golpes provocou sofrimento intenso e desnecessário. O perito responsável pelo exame cadavérico concluiu que as lesões causaram um grau de padecimento compatível com tortura.

“Reconhecidos pelos jurados a motivação fútil e o emprego de meio cruel, em razão da extensa quantidade de lesões empregadas, as quais causaram intenso e desnecessário sofrimento à vítima”, destacou a sentença.

Ao fixar a pena, a juíza também considerou anotações existentes na ficha do réu. Embora tecnicamente primário, Clodoaldo possuía registros relacionados a embriaguez ao volante, desacato, lesão corporal culposa no trânsito, ameaça, violência doméstica e uma condenação por furto mediante fraude eletrônica ainda sujeita a recurso. A decisão saiu após julgamento do Tribunal do Júri de Niterói, encerrado na madrugada de sábado (29). 

A defesa negou ao longo do processo que o cantor tivesse cometido o crime e contestou procedimentos adotados durante a investigação. Mesmo assim, os jurados reconheceram a materialidade e a responsabilidade do acusado pelo homicídio.

Crime causou comoção

A morte de Karen Mancini provocou forte repercussão no estado. Ela era descrita por familiares e colegas como uma profissional dedicada. Após o crime, parentes organizaram manifestações em Lumiar pedindo justiça e medidas mais efetivas de combate à violência contra a mulher.

A irmã da vítima, Caroline Mancini, afirmou na época que Karen vivia um relacionamento marcado por agressões e chegou a obter uma medida protetiva contra Clodoaldo em 2023. Segundo familiares, a analista enfrentava episódios recorrentes de violência doméstica, mas acabou retomando a convivência com o companheiro.

Durante as investigações, o laudo pericial revelou a dimensão da violência sofrida pela vítima. As marcas atingiram rosto, pescoço, braços, tórax, abdômen e pernas. O documento ainda apontou lesões internas no crânio, responsáveis pela morte.

Com a condenação, Clodoaldo Queiroz de Oliveira permanecerá preso para cumprir a pena de 28 anos de reclusão em regime inicialmente fechado. O julgamento foi realizado em Niterói após pedido da defesa para transferência do processo de Nova Friburgo, sob a alegação de possível comprometimento da imparcialidade dos jurados na cidade onde ocorreu o crime.
A reportagem entrou em contato com a defesa de Clodoaldo Queiroz de Oliveira para que comente a decisão e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações. 
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