Gracindo Jr. recebeu homenagem de fã durante velório no CajuCarlos Elias Junior / Agência O Dia
Publicado 03/09/2026 12:33
Rio - O corpo do ator Gracindo Jr. foi velado, na tarde desta quinta-feira (3), no Crematório e Cemitério Vertical da Penitência, no Caju, na Zona Portuária. O artista morreu em casa, no Rio, na noite de segunda (1º), aos 83 anos.
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Sob forte comoção, amigos e familiares, incluindo os filhos, Gabriel e Pedro Gracindo, deram o último adeus ao ente querido. O artista também deixou a mulher, Daisy Poli, e mais dois herdeiros: Daniela e Yan.
Herson Capri homenageou o amigo, ressaltando a sua personalidade carinhosa e acolhedora. "[Era] uma pessoa doce, que acolhia a gente no trabalho de uma forma muito bonita. Então, era agradável trabalhar com ele, não só pela eficiência, como também pela postura afetiva", falou o ator.

Ao analisar qual o legado deixado por Gracindo, ressaltou tanto as conquistas pessoais, quanto as profissionais. "O trabalho dele. O pai, a mulher e os filhos que ele teve. E o que ele deixou no teatro, principalmente,  e também [na] televisão e cinema. Isso tudo está registrado", afirmou Capri, que complementou: "Tínhamos realmente tinha essa relação de irmão. Era um amigo muito querido."

Othon Bastos falou sobre as mais de quatro décadas de parceria ao lado do ator. "Tínhamos uma amizade de 45 anos. Uma amizade forte e sem disputa, era apenas trabalho e amor. E tudo que nós fazíamos, era com bastante amor. [...] Ele dizia: 'O importante é doar'. Então, temos que nos doar às pessoas. [...] Vai fazer [muita falta], [assim] como farão qualquer um que vá", disse o veterano, que estava acompanhado da mulher, a atriz Martha Overbeck.
Os atores Jayme Periard, Palomma Duarte, Bruno Ferrari, Claudio Lins, Leonardo Bricio, Angela Vieira, Edwin Luisi, Stella Freitas, Emiliano d'Avila, Chandelly Braz e Adriana Birolli também estiveram presentes, assim como o diretor Ivan Zettel. Afastado da TV Globo desde 2017, José Mayer fez rara aparição na cerimônia de despedida.
Na entrada do local, um fã homenageou o diretor: "Vá com Deus, Gracindo Jr.", dizia a mensagem escrita no cartaz. O corpo do ator foi cremado às 14h10.
Carreira
Nascido no Rio em 21 de maio de 1943, Epaminondas Xavier Gracindo, conhecido artisticamente como Gracindo Jr., iniciou a trajetória profissional em 1959. Aos 15 anos, fez um teste para a Rádio Nacional, emissora onde seu pai, o ator Paulo Gracindo (1911-1995), brilhava como galã de radionovelas e apresentador de auditório. Aprovado na avaliação, ele construiu uma carreira versátil na rádio, atuando como ator, redator e disc-jóquei.
Dois anos depois, estreou nos palcos teatrais com a peça "A Escada". Sua chegada à TV Globo ocorreu em 1965, ano de inauguração da emissora, e estrelou novelas como "Rosinha do Sobrado" (1965), "Padre Tião" (1966), "A Rainha Louca" (1967).
Na década de 1970, destacou-se em "A Próxima Atração" (1970) e em "Os Ossos do Barão" (1973), obras na qual teve a oportunidade de contracenar com o pai. Ele voltou a trabalhar com Paulo em "O Bem-Amado" (1973) e "O Casarão" (1976).
Após o encerramento desta última, Gracindo Jr. viajou para Portugal, onde dirigiu por quatro meses a peça "É", de Millôr Fernandes. De volta ao Brasil, em 1978, assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo e, no ano seguinte, esteve à frente da direção de "Memórias de Amor" e "Marron Glacé".
Em 1980, subiu aos palcos com o espetáculo "Paulo Gracindo, Meu Pai", texto que escreveu para homenagear os 50 anos de carreira do patriarca. Na mesma época, ajudou a moldar a linguagem visual do "Fantástico" ao dirigir e apresentar os clipes musicais exibidos pela revista eletrônica.
A volta de Gracindo Jr. à atuação ocorreu em 1982, na novela "Jogo da Vida" e na minissérie "Quem Ama Não Mata". No ano seguinte, participou de "Bandidos da Falange", ao mesmo tempo em que assumiu a direção do humorístico "Os Trapalhões", com Carlos Alberto da Nóbrega.
Em 1984, o artista migrou para a TV Manchete, onde brilhou em produções como "A Marquesa de Santos" (1984), "Dona Beija" (1986), "Tudo ou Nada" (1987) e "74.5: Uma Onda no Ar" (1994). Paralelamente a esse período, retornou à Globo em 1985 para integrar a minissérie "Tenda dos Milagres" e assumir a direção de episódios do "Sítio do Picapau Amarelo". Dois anos depois, protagonizou "Mandala" (1987) e, na sequência, trabalhou em "O Salvador da Pátria" (1989).
Na década de 1990, Gracindo fez parte da minissérie "A, E, I, O... Urca" (1990) e das novelas "Rainha da Sucata" (1990), "Gente Fina" (1990), "Deus nos Acuda" (1992), "Explode Coração" (1995) e "Anjo de Mim" (1996). Além disso, comandou a direção de episódios do "Você Decide" e fez participações especiais no seriado "Mulher" e na minissérie "Chiquinha Gonzaga" (1999).
Nos anos 2000, o ator manteve-se ativo na Globo com papéis em "Esplendor" (2000) e "Celebridade" (2003), além de uma participação em "Como uma Onda" (2004). A partir de 2006, reforçou o time de atores da TV Record, e trabalhou em "Cidadão Brasileiro" (2006), "Luz do Sol" (2007), "Poder Paralelo" (2009), "Ribeirão do Tempo" (2011) e na minissérie bíblica "Rei Davi" (2012). O último trabalho dele foi na série "Homens?", em 2019, no Prime Video.
Além da TV, Gracindo Jr. construiu uma carreira marcante no teatro, participando de mais de 20 peças como ator, produtor ou diretor. Ele, inclusive, dirigiu as duas últimas peças que em que seu pai atuou: "Num Lago Dourado", de 1991, e "A História é uma História". No cinema, estrelou longas como "Os Homens que eu Tive" (1973), "O Dia Marcado" (1977), "Os Trapalhões na Serra Pelada" (1982), "Floresta das Esmeraldas" (1985), "A Hora Marcada" (2000), "Bufo e Spalanzani" (2001), "A Selva" (2004), "Primo Basílio" (2006), "Segurança Nacional" (2010), entre outros.
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