Gracindo Jr. morreu aos 83 anosRenato Rocha Miranda / TV Globo

Rio - Considerado um dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira, o ator Gracindo Jr. morreu aos 83 anos, na noite de terça-feira (1º) em casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo ator Leonardo Brício por meio do Instagram. A causa da morte não foi divulgada, até o momento. 
"Ontem, um pouco antes das 22h, meu amigo amado Gracindo Jr. deu seu último suspiro, e quis Deus que eu estivesse ao lado dos seus filhos de sangue e sua esposa nesse exato momento", escreveu Leonardo, que compartilhou alguns registros ao lado do veterano no Instagram. 
 
 
 
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O velório está marcado para esta quinta-feira (3), no Crematório e Cemitério da Penitência, a partir das 12h10. Às 14h10, o corpo será cremado. Gracindo deixa a mulher Daisy Poli e quatro filhos, Daniela, Gabriel, Pedro e Yan.
Afastado da TV há sete anos, o artista recebeu a visita da amiga Maitê Proença, com quem contracenou em "A Marquesa de Santos" (1984) e "Dona Beja (1986), na Manchete, em junho do ano passado. O encontro aconteceu na casa dele e registros foram divulgados pela atriz no Instagram. 
 
 
 
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Carreira
Nascido no Rio de Janeiro em 21 de maio de 1943, Epaminondas Xavier Gracindo, conhecido artisticamente como Gracindo Jr., iniciou a trajetória profissional em 1959. Aos 15 anos, fez um teste para a Rádio Nacional, emissora onde seu pai, o ator Paulo Gracindo (1911-1995), brilhava como galã de radionovelas e apresentador de auditório. Aprovado na avaliação, ele construiu uma carreira versátil na rádio, atuando como ator, redator e disc-jóquei.
Dois anos depois, em 1961, estreou nos palcos teatrais com a peça "A Escada". Sua chegada à TV Globo ocorreu em 1965, ano de inauguração da emissora, e estrelou novelas como "Rosinha do Sobrado" (1965), "Padre Tião" (1966), "A Rainha Louca" (1967). Na década de 1970, destacou-se em "A Próxima Atração" (1970) e em "Os Ossos do Barão" (1973), obras na qual teve a oportunidade de contracenar com o pai. Ele voltou a trabalhar com Paulo em "O Bem-Amado" (1973) e "O Casarão" (1976).
Após o encerramento desta última, Gracindo Jr. viajou para Portugal, onde dirigiu por quatro meses a peça "É", de Millôr Fernandes. De volta ao Brasil, em 1978, assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo e, no ano seguinte, esteve à frente da direção de "Memórias de Amor" e "Marron Glacé".
Em 1980, subiu aos palcos com o espetáculo "Paulo Gracindo, Meu Pai", texto que escreveu para homenagear os 50 anos de carreira do patriarca. Na mesma época, ajudou a moldar a linguagem visual do "Fantástico" ao dirigir e apresentar os clipes musicais exibidos pela revista eletrônica.
A volta de Gracindo Jr. à atuação ocorreu em 1982, na novela "Jogo da Vida" e na minissérie "Quem Ama Não Mata". No ano seguinte, participou de "Bandidos da Falange", ao mesmo tempo em que assumiu a direção do humorístico "Os Trapalhões", com Carlos Alberto da Nóbrega.
Em 1984, o artista migrou para a TV Manchete, onde brilhou em produções como "A Marquesa de Santos" (1984), "Dona Beija" (1986), "Tudo ou Nada" (1987) e "74.5: Uma Onda no Ar" (1994). Paralelamente a esse período, retornou à Globo em 1985 para integrar a minissérie "Tenda dos Milagres" e assumir a direção de episódios do "Sítio do Picapau Amarelo". Dois anos depois, protagonizou "Mandala" (1987) e, na sequência, trabalhou em "O Salvador da Pátria" (1989).
Na década de 1990, Gracindo fez parte da minissérie "A, E, I, O... Urca" (1990) e das novelas "Rainha da Sucata" (1990), "Gente Fina" (1990), "Deus nos Acuda" (1992), "Explode Coração" (1995) e "Anjo de Mim" (1996). Além disso, comandou a direção de episódios do "Você Decide" e fez participações especiais no seriado "Mulher" e na minissérie "Chiquinha Gonzaga" (1999).
Nos anos 2000, o ator manteve-se ativo na Globo com papéis em "Esplendor" (2000) e "Celebridade" (2003), além de uma participação em "Como uma Onda" (2004). A partir de 2006, reforçou o time de atores da TV Record, e trabalhou em "Cidadão Brasileiro" (2006), "Luz do Sol" (2007),  "Poder Paralelo" (2009), "Ribeirão do Tempo" (2011) e na minissérie bíblica "Rei Davi" (2012). O último trabalho dele foi na série "Homens?", em 2019, no Prime Video.
Além da TV, Gracindo Jr. construiu uma carreira marcante no teatro, participando de mais de 20 peças como ator, produtor ou diretor. Ele, inclusive, dirigiu as duas últimas peças que em que seu pai atuou: "Num Lago Dourado", de 1991, e "A História é uma História". No cinema, estrelou longas como "Os Homens que eu Tive" (1973), "O Dia Marcado" (1977), "Os Trapalhões na Serra Pelada" (1982), "Floresta das Esmeraldas" (1985), "A Hora Marcada" (2000), "Bufo e Spalanzani" (2001), "A Selva" (2004), "Primo Basílio" (2006), "Segurança Nacional" (2010), entre outros.