Também foi denunciado Flavio da Silva Santos, presidente da Mocidade Independente de Padre MiguelReginaldo Pimenta

Rio - O Ministério Público (MPRJ) denunciou oito pessoas por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do jogo do bicho por meio de empresas de apostas esportivas online, as bets. Segundo os órgãos de fiscalização, o grupo teria ocultado e dissimulado pelo menos R$ 5,2 milhões.
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Entre eles está Vinicius Pereira Drumond, filho e herdeiro na contravenção do bicheiro Luizinho Drumond, que morreu em 2020. Também foram denunciados Flavio da Silva Santos, presidente da Mocidade Independente de Padre Miguel, o advogado Alexandre Vinicius da Costa Guedes, apontado como primeiro presidente da LEMA Administração e Participações S.A. (operadora da Rio Jogos), e Jorge Roberto de Oliveira Figueiredo, indicado como sócio de uma empresa envolvida nas fraudes.
Também foram denunciados João Eric Lourenço da Silva, Ana Paula Batista Vitorino e João Victor de Araújo Souza, acusados de ocultar a origem de R$ 5,1 milhões, além de Lucas Pastore Laporte de Souza, apontado como um dos responsáveis por criar e estruturar o mecanismo de lavagem de dinheiro.

Dinheiro do jogo do bicho

De acordo com a acusação, os valores arrecadados com a atividade ilegal entravam no mercado formal através da plataforma Rio Jogos, gerida pela LEMA Administração e Participações S/A. A movimentação desse capital contava com o auxílio de supostos "laranjas" e de pessoas jurídicas como a JRF Eagle Participações e a Invectry Participações.

R$ 5,2 milhões movimentados

Segundo o rastreamento financeiro, a LEMA registrou duas entradas de R$ 2.598.150 no dia 6 de maio de 2024. Uma das transferências partiu de João Eric, enquanto a outra foi realizada pela Apoio Consultoria Financeira, pertencente aos acusados Ana Paula e João Victor. Na mesma data, o montante total foi repassado pela empresa à Loterj para quitar a taxa de outorga exigida na exploração de apostas de quota fixa.

Buscas no Rio e em outros estados

Na terça-feira (1º), agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca, Freguesia, Botafogo e Centro, na capital fluminense, além de municípios no Paraná e em Goiás.

A Justiça também determinou, a pedido do CyberGAECO/MPRJ, a suspensão das atividades e dos CNPJs das empresas envolvidas no esquema. O cumprimento das ordens judiciais fora do estado contou com o apoio das equipes locais do Ministério Público paranaense e goiano.

Movimentações suspeitas

A apuração identificou repasses de valores cujos montantes eram incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos. Segundo o órgão, também foram localizados depósitos em espécie realizados com cédulas de pequeno valor, sendo algumas encontradas em estado de mofo.

A ação foi conduzida pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do MPRJ (CyberGAECO/MPRJ).
A assessoria da Mocidade Independente de Padre Miguel informou que não irá se posicionar sobre o envolvimento de Flavio da Silva Santos já "que se trata de uma questão estritamente relacionada à vida pessoal dele. A Mocidade não tem qualquer tipo de envolvimento com o caso e, portanto, não cabe à escola comentar ou se manifestar sobre a situação".

A reportagem de O DIA também tentou contato por e-mail com o escritório do advogado Alexandre Vinicius da Costa Guedes às 16h01, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. Em relação aos demais denunciados e às empresas citadas, as defesas não foram localizadas. O espaço segue aberto para posicionamentos.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral