Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, é procurado pela políciaDivulgação
Publicado 28/09/2026 16:04 | Atualizado 28/09/2026 16:20
O criminoso Álvaro Malaquias Santa Rosa, o "Peixão", pode ter ordenado o sequestro de ônibus na Linha Vermelha, nesta segunda-feira (28), em retaliação a uma operação da Polícia Militar no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. Integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que atua na comunidade, promoveram uma série de ações na via expressa e na Rodovia Washington Luiz, regiões de grande circulação e distantes do local da operação.
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De acordo com informações da área de inteligência da Polícia Militar, a ação criminosa nas vias expressas foi executada em retaliação à apreensão das armas e prisões de criminosos. Na ocasião, dois ônibus escolares foram usados como barricadas próximo ao acesso à Rodovia Washington Luís, na altura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Os alunos eram da Escola Eleva, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, e seguiam para uma excursão em Vassouras, no Sul Fluminense.

A ação provocou pânico entre os adolescentes, motoristas e trabalhadores que passavam pela região.

Saldo da operação

Até o momento, foram apreendidos 12 fuzis, oito pistolas, além de granadas, munições e carregadores. Os policiais militares recuperaram ainda seis veículos e apreenderam 83 quilos de drogas. Doze criminosos foram presos e um adolescente apreendido, dentre eles, oito feridos e socorridos.
Além disso, três suspeitos foram mortos em confronto. Um adolescente deu entrada no Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde foi atendido e liberado. Um policial militar também ficou ferido durante a ação.

Mais uma ordem de Peixão

Essa não foi a primeira vez que o nome do criminoso é relacionado a ocorrências dessa natureza na cidade do Rio. Em outubro do ano passado, a Polícia Civil abriu mais um inquérito contra Álvaro Malaquias para investigar se ele cometeu terrorismo. O tiroteio na Avenida Brasil, no dia 24 daquele mês, motivou a abertura de mais uma investigação contra o chefe do tráfico de drogas do Complexo de Israel. Na ocasião, três inocentes foram baleados e mortos em uma das principais vias expressas do Rio de Janeiro.

Contra Peixão constam 20 mandados de prisão por crimes como homicídio, tortura, associação ao tráfico, roubos e ocultação de cadáver. Ele atualmente é considerado foragido da Justiça.

À época, segundo a Polícia Militar, criminosos comandados por Álvaro Malaquias teriam recebido ordens para atirar contra a Avenida Brasil durante uma operação no Complexo de Israel. O objetivo era tirar o foco dos PMs envolvidos na incursão ao conjunto de comunidades. A estratégia dos traficantes fez a PM recuar.

Momentos depois do ocorrido, em coletiva de imprensa, o então governador Claudio Castro, definiu o intenso tiroteio na Avenida Brasil como um "ato de terrorismo" e afirmou que as mortes não aconteceram em decorrência de uma troca de tiros envolvendo policiais militares e sim porque criminosos atacaram pessoas inocentes deliberadamente para afastar os agentes.

No Brasil, a Lei n° 13.260 define o terrorismo como "a prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública". A pena prevista é de até 30 anos em regime fechado.

Quem é 'Peixão'

Adepto de símbolos de Israel, como a Estrela de Davi, o traficante é conhecido por sua intolerância contra praticantes de religiões de matriz africana e costuma expulsar esses moradores de suas áreas de influência, além de determinar a invasão e depredação de centros religiosos. Contra ele, há nove mandados de prisão em aberto, a maioria por tráfico de drogas, homicídio e ocultação de cadáver.
A religiosidade de Peixão é tamanha que ele se autointitula como Arão, o profeta de Deus, irmão de Moisés. O nome foi assumido também pela sua quadrilha que se autodenomina "Tropa do Arão". O próprio Complexo de Israel seria uma referência à Terra Prometida.
Além disso, o traficante também usa símbolos para marcar seus territórios, que geralmente estão colocados em pontos altos das comunidades. Na Cidade Alta, por exemplo, foi instalada uma Estrela de Davi que pode ser vista a mais de 2,5km de distância.
A reportagem tenta localizar a defesa de Álvaro Malaquias. O espaço está aberto para manifestação.
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