Professor de artes marciais foi alvo de ação do Ministério PúblicoReprodução/Redes sociais
Publicado 01/10/2026 18:14 | Atualizado 01/10/2026 18:23
A Justiça de São Paulo absolveu o candidato a deputado federal pelo Democracia Cristã (DC), William Correia da Silva Junior, da acusação de assédio sexual contra uma atleta paralímpica durante uma competição esportiva realizada em 2021. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal do Foro Regional de Santana, na capital paulista, que julgou improcedente a ação penal após analisar depoimentos, mensagens e demais provas reunidas ao longo do processo.
Publicidade
LEIA MAIS: Datafolha: Paes lidera com 47% das intenções de votos; Ruas tem 35%

O caso teve origem em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo. Segundo a acusação, William, que integrava a delegação do Estado do Rio de Janeiro em uma competição esportiva realizada entre os dias 23 e 27 de novembro de 2021, no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, teria constrangido de maneira a obter relações sexuais com uma atleta de 16 anos.

De acordo com os autos, a adolescente relatou ter recebido mensagens do então integrante da equipe de apoio da delegação fluminense por meio das redes sociais. Ela também descreveu situações ocorridas durante o evento que teriam lhe causado desconforto, incluindo convites para que fosse ao quarto onde ele estava hospedado e interações consideradas inadequadas.

William negou as acusações durante o processo. A defesa sustentou que as mensagens não possuíam conteúdo sexual e que não houve qualquer conduta capaz de caracterizar o crime de assédio sexual.

Na sentença, a magistrada responsável pelo caso destacou que, embora a palavra da vítima tenha relevância especial em crimes dessa natureza, ela deve ser analisada em conjunto com os demais elementos produzidos durante a instrução processual. Após examinar o material reunido nos autos, a juíza concluiu que não havia provas suficientes para uma condenação.

A decisão registra que as mensagens apresentadas não evidenciaram investidas de natureza sexual, comportamento insistente, agressivo ou intimidatório. Segundo a magistrada, também não foram identificados elementos capazes de demonstrar a finalidade sexual exigida para a configuração do delito apontado pelo Ministério Público.

Outro ponto considerado na sentença foi a ausência de relação hierárquica direta entre William e a atleta. Conforme a decisão, ele não exercia funções de treinador ou professor da jovem, atuando apenas como representante da delegação durante a competição.

Após a divulgação da sentença, William Correia afirmou, por meio de nota à imprensa, que recebeu a decisão "com serenidade". Segundo o comunicado, o resultado foi alcançado após a análise de todos os elementos produzidos durante a instrução do processo, incluindo depoimentos, mensagens e demais provas apresentadas pelas partes.

A nota destaca que a sentença concluiu que as conversas analisadas não demonstraram investidas de natureza sexual nem comportamento insistente ou intimidatório. A defesa também ressaltou que o Juízo considerou a absolvição "medida de rigor" diante do conjunto probatório produzido.

No texto, William agradeceu o apoio recebido desde o início do processo e afirmou que pessoas próximas buscaram compreender os fatos respeitando o devido processo legal. Ele também lamentou a divulgação pública de informações relacionadas ao caso enquanto a ação ainda estava em tramitação na Justiça.

William é conhecido por atuar em Copacabana e ganhou projeção nos últimos anos por liderar o grupo "Anjos da Guarda Vigilância Comunitária" (AGVC). A organização é apontada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) como responsável por promover ações de vigilância informal, perseguições, agressões e exposição de adolescentes suspeitos de furtos e roubos na Zona Sul.
Leia mais