Irmãs foram levados ao Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT)Divulgação
Publicado 08/10/2026 21:40
Uma das irmãs que teve 90% do corpo queimado dentro de casa não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã desta quinta-feira (8), no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo, na Região Metropolitana. A pequena A.S.S., de 6 anos, estava internada desde o último dia 30, com queimaduras graves por todo o corpo. A irmã dela, M.J.S., de 2 anos, continua no CTI, em estado gravíssimo, na mesma unidade de saúde.
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As duas crianças estavam sozinhas dentro da residência, no bairro Guaxindiba, também em São Gonçalo, quando o incêndio começou. Um vídeo gravado após o ocorrido mostra a casa completamente destruída pelo fogo. Em uma das imagens, é possível ver um carrinho de bebê, materiais escolares das crianças, uma cama carbonizada, vidros estourados e paredes tomadas pela fuligem.
A mãe das meninas chegou a ser presa em flagrante por abandono de incapaz, mas acabou solta no dia seguinte, após a decisão do juiz Matheus Marum Barbosa Baptista, durante audiência de custódia, que acolheu as considerações da defesa da mãe das meninas.
Na avaliação do magistrado, o caso teria ocorrido em um contexto de "negligência circunstancial" associado a um acidente provocado pela fiação antiga da casa. A decisão destaca ainda que não foram identificados elementos que indiquem premeditação, perversidade ou intenção de ferir as filhas.
O juiz também considerou que a mulher não possui anotações criminais anteriores, nem investigações em andamento. Segundo a decisão, ela não fugiu, foi ao hospital acompanhar as crianças após o incêndio, colaborou com os policiais e não demonstrou intenção de interferir na investigação ou ameaçar testemunhas.
Com a morte da menina, a mãe responderá por abandono de incapaz com resultado morte. A 74ª DP (Alcântara) enviou o caso à Justiça.
Ainda não há informações sobre o sepultamento de A.S.S.

Contradição no depoimento da mãe

Em depoimento à autoridade policial, a mulher afirmou que mora sozinha com os filhos em uma casa alugada, que teria uma instalação elétrica antiga e precária. Segundo ela, na madrugada do incêndio, saiu por aproximadamente dez minutos para devolver um carregador de celular na casa de uma amiga que mora nas proximidades.
Ela contou que levou consigo o filho de 4 anos, que, segundo seu relato, tem transtorno do espectro autista e necessita de cuidados contínuos. As duas meninas permaneceram dormindo no quarto.
Ainda conforme o depoimento, ao retornar, a mãe encontrou a casa em chamas e viu um vizinho retirando as crianças do imóvel. Em seguida, ela foi para o hospital para acompanhar o atendimento das filhas.
A mulher também afirmou estar grávida de seis meses, negou ser usuária de drogas ou álcool e disse estar profundamente abalada com o ocorrido. Durante o interrogatório, declarou que pretende continuar cuidando da família.
Segundo o delegado Antônio Silvino, titular da 74ª DP (Alcântara), a mulher apresentou versões diferentes sobre o que fazia fora de casa enquanto as filhas estavam sozinhas. Em uma das versões, ela disse ter deixado a casa com um outro filho para devolver o carregador de uma vizinha, enquanto as duas meninas permaneceram no imóvel. "Ela a cada hora fala uma coisa diferente. Primeiro que não estava sozinha, que tinha deixado com um camarada que era o namorado dela há uma semana", disse o delegado ao O DIA.
 
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