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Lula tenta deixar sede de sindicato, mas é impedido por manifestantes

Lula estava dentro de um carro, saindo do prédio, mas militantes barraram a saída do veículo e chegaram a arrancar o portão do local. 'A PF deu meia hora para a gente resolver essa situação', disse Gleisi Hoffman

Por O Dia

Ele chegou a entrar em um carro com o advogado Cristiano Zanin, mas saiu
Ele chegou a entrar em um carro com o advogado Cristiano Zanin, mas saiu -

São Paulo - Os manifestantes apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva impediram a saída do ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Lula estava dentro de um carro, saindo do prédio, mas os militantes barraram a saída do veículo e chegaram a arrancar o portão do local, segurando as grades na frente do carro.

O petista saiu do carro e voltou para o interior do prédio, onde dezenas de pessoas ainda permanecem. "Cercar, cercar e não deixar prender", gritam os manifestantes neste momento.

Minutos antes dessa tentativa, imagens a partir do helicóptero da TV Globo mostraram carros da Polícia Federal estacionando nas proximidades do sindicato. Ainda não há qualquer confirmação sobre o horário em que Lula deve sair do prédio, onde está desde quinta-feira.

A senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, subiu às 17h50 deste sábado no carro de som e disse à militância que não arreda pé da porta do sindicato e não deixa Lula sair para se entregar à Polícia Federal. "Vocês estão na mais absoluta liberdade, mas preciso conversar com vocês", disse a senadora.

"Não vim aqui pra induzir nenhuma decisão, vocês estão aqui de livre e espontânea vontade tentando proteger o presidente Lula. Tenho que dividir um problema. Vocês estão na mais absoluta liberdade, mas preciso conversar com vocês. A consequência pode ser para nós, que a polícia venha aqui dar paulada na gente", alertou.

A senadora ainda disse que ‘o fato é que a consequência para Lula, do ponto de vista jurídico, é alta’."A Polícia Federal deu meia hora para a gente resolver essa situação" afirmou.

 

Em discurso, Lula critica Judiciário, mas diz que vai se entregar à Polícia Federal

O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, que está há dois dias no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, foi ovacionado neste sábado ao aparecer pela primeira vez desde que se confinou na entidade. Lula teve mandado de prisão expedido pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, na última quinta-feira. Logo após a missa, que teve tom político, ele discursou por 55 minutos aos manifestantes, que gritaram frases como "não se entrega" a todo momento. No pronunciamento, ele criticou o Judiciário, disse que "não está escondido" e que vai se entregar à Polícia Federal (PF), o que pode acontecer hoje.

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no braço do povo depois da missa e discursos em frente ao sindicato dos metalúrgicos no ABC - Ricardo Stuckert

"Eu sairei dessa maior, mais forte, mais verdadeiro e inocente, porque eu quero cobrar que eles é que cometeram um crime, um crime político de perseguir um homem que tem 50 anos de história política", discursou Lula, falando que se entregará a prisão para "transferir a responsabilidade".

Em sua fala, ele também afirmou que não é contra a Lava Jato, que segundo ele mostrou que "não é só pobre" que é preso. "Não pensem que eu sou contra a Lava Jato. Se pegar bandido, tem que pegar bandido mesmo que roubou e prender. Todos nós queremos isso", falou.

Em discurso, Lula critica Judiciário, mas diz que vai se entregar à Polícia Federal

Lula criticou o Judiciário brasileiro e disse afirmou: "Quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro". "Eu não tenho medo deles. Eu até já falei que gostaria de fazer um debate com o Moro sobre a denúncia que ele fez contra mim. Eu gostaria que ele me mostrasse alguma coisa de prova", falou. Ele também criticou o trabalho do Ministério Público Federal (MPF), citando os slides usados em sua denúncia.

O ex-presidente se defendeu dizendo que está sendo condenado por um crime que não cometeu porque querem impedi-lo de concorrer às eleições este ano. "Eles não querem o Lula de volta, porque pobre na cabeça deles não pode ter direito."

Com informações do Estadão Conteúdo

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Ele chegou a entrar em um carro com o advogado Cristiano Zanin, mas saiu Reprodução de TV
Lula ao lado da ex-presidente Dilma AFP
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no braço do povo depois da missa e discursos em frente ao sindicato dos metalúrgicos no ABC, pouco antes de ser preso, em abril de 2018 Ricardo Stuckert