Bolsonaro pede que bancada do PSL não declare ainda voto para comando da Câmara

Eduardo Bolsonaro afirmou também que seu pai não faz questão que um representante do PSL assuma o comando da Câmara

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Presidente eleito, Jair Bolsonaro
Presidente eleito, Jair Bolsonaro -

Brasília - O presidente eleito, Jair Bolsonaro, pediu aos membros do PSL que não declarem voto para a presidência da Câmara por enquanto. Segundo um dos filhos do presidente eleito, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), houve uma recomendação para aguardar o término das negociações antes de se posicionar. Na semana passada, Eduardo chegou a dizer que o partido não apoiaria a recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o comando da Casa.

"O presidente (Jair Bolsonaro) relembrou o tempo de campanha, pediu um pouquinho de serenidade aos candidatos para não declarar votos para a presidência da Câmara ou quaisquer outros cargos. Para eles primeiro sentirem o clima. As negociações, as articulações ainda estão ocorrendo", contou Eduardo ao sair reunião da bancada do PSL com Jair Bolsonaro.

Eduardo afirmou ainda que Bolsonaro não faz questão que um representante do PSL, seu partido, assuma o comando da Câmara. No início da semana, o filho de Bolsonaro disse que o PSL não apoiaria a recondução do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e disse que a legenda possui outras preferências. Deputados da sigla têm manifestado simpatia por candidaturas que vão de João Campos (PRB-GO) a Alceu Moreira (MDB-RS), passando por Capitão Augusto (PR-SP).

Hoje, Maia não participou da conversa da bancada do DEM com Bolsonaro, que ocorreu antes do encontro do presidente eleito com o PSL. A cúpula do Democratas, que está a um passo de integrar a base aliada de Bolsonaro, espera obter ao menos a neutralidade do futuro governo na disputa da Câmara.

Na reunião com o DEM, Bolsonaro disse que pediu isenção na disputa aos deputados do PSL "em nome da governabilidade". O presidente eleito escolheu três integrantes do DEM para o primeiro escalão - os deputados Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, Tereza Cristina, que ocupará a Agricultura e Luiz Mandetta para a Saúde.

"As coisas estão caminhando para o apoio ao governo. O espírito de todos é de colaboração", afirmou o presidente do DEM, ACM Neto, que é prefeito de Salvador (BA). "Estamos vivendo um momento extremamente desafiador e a tendência é caminharmos juntos", completou o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), eleito governador de Goiás. Para o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), o DEM "tem todos os motivos, ideologicamente" para se aliar ao governo Bolsonaro.

ACM Neto disse que Maia não compareceu ao encontro desta quarta porque tem um "papel institucional" a cumprir e negou que declarações de Eduardo Bolsonaro sobre ele tenham azedado as relações. Nos bastidores, no entanto, sabe-se que Maia montou uma estratégia para se reeleger e tenta formar um bloco que isole o PSL na repartição de poder na Câmara, caso a equipe de Bolsonaro interfira na eleição, marcada para fevereiro de 2019.

Comando do PSL

Jair Bolsonaro conversou com a bancada do PSL após brigas em grupo de WhatsApp se tornarem públicas e trocas de farpas em redes sociais. Nesta quarta, disse que é contra a criação de grupo de WhatsApp com muitas pessoas porque, caso alguma mensagem seja vazada, não é possível saber quem foi o responsável pela divulgação.

Ao ser indagado se Jair Bolsonaro teria proibido o grupo, Eduardo disse que ele "não é um ditador, é bem democrático e apenas aconselhou".

 

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