João de Deus se entrega à polícia

As informações foram confirmadas pelo criminalista Alberto Toron, que representa o médium

Por ESTADÃO CONTEÚDO

João de Deus: advogado disse que pretende entrar hoje com o pedido de habeas corpus para o médium
João de Deus: advogado disse que pretende entrar hoje com o pedido de habeas corpus para o médium -

Abadiânia - O médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, se entregou às autoridades e foi preso neste domingo. As informações foram confirmadas pelo criminalista Alberto Toron, que representa o médium. Com prisão decretada por suspeita de abuso sexual contra mais de 300 mulheres, João de Deus se apresentou ao delegado-geral de Goiás na tarde deste domingo em Abadiânia.

Apesar de toda a polêmica envolvendo o líder espiritual, a Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus fazia os atendimentos normalmente, permaneceu aberta até o horário do almoço e encerrou as atividades em seguida.

Durante a manhã, aproximadamente uma dezena de pessoas permanecia no local, a maioria estrangeiros, vestidos de branco. Enquanto alguns faziam orações, outros permaneciam em locais de meditação da Casa.

Quem circula pela cidade encontra poucos pontos de comércio abertos e moradores receosos de falar sobre as denúncias que pesam contra João de Deus. Em condição de anonimato, algumas pessoas arriscam opinar sobre o assunto. Dizem, por exemplo, que o médium não era "flor que se cheire", mas evitam as entrevistas Além disso, costumam mostrar preocupação sobre como a prisão dele deve afetar a economia do município.

Saques de R$ 35 milhões

O Ministério Público (MP) do Estado de Goiás confirmou neste domingo a informação de que o médium retirou R$ 35 milhões de contas e aplicações financeiras após as primeiras denúncias de abuso sexual. A informação acelerou a decretação da prisão preventiva. Segundo o MP, ele não foi encontrado em todos os endereços possíveis e o comparecimento espontâneo não ocorreu nas 24 horas seguintes à ordem de prisão. 

Na sexta-feira, o Tribunal de Justiça de Goiás acatou o pedido do Ministério Público de Goiás (MP-GO) e determinou a prisão do médium goiano. A reportagem não conseguiu falar com o advogado Alberto Toron, que defende João de Deus. O médium nega as acusações.

As denúncias contra João de Deus começaram a vir a público no dia 7, quando a mídia divulgou as primeiras denúncias de abuso sexual. A partir daí, outras mulheres que afirmam ser vítimas do médium começaram a procurar as autoridades e a imprensa.

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