Oito funcionários da Vale envolvidos na segurança em Brumadinho são presos

Suspeita é de que engenheiros de empresa terceirizada foram coagidos a emitir parecer favorável sobre segurança da barragem da Mina do Feijão, em Brumadinho

Por O Dia

O rompimento da barragem da Mina Córrego de Feijão, em Brumadinho (MG), deixou até agora 166 mortos e 155 desaparecidos
O rompimento da barragem da Mina Córrego de Feijão, em Brumadinho (MG), deixou até agora 166 mortos e 155 desaparecidos -

Brasília - Oito funcionários da Vale foram presos na manhã desta sexta-feira e 14 mandados de busca e apreensão foram expedidos em operação para identificar os responsáveis pelo desastre da Vale em Brumadinho. Os oito alvos de prisão são funcionários da mineradora. Os endereços dos mandados são em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A ação foi deflagrada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, com apoio das Polícias Civil e Militar.

Dentre os presos, quatro são gerentes de Vale (dois deles, executivos) e quatro são técnicos.

Alexandre de Paula Campanha foi preso em casa, no Centro-Sul de Belo Horizonte. Ele teria pressionado os engenheiros da terceirizada alemã TÜV SÜD a darem um laudo favorável à barragem número 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho, alegando que a empresa poderia perder o contrato com a Vale se não desse parecer favorável sobre a segurança da barragem. 

As informações foram obtidas em depoimentos dos engenheiros André Yassuda, diretor da empresa alemã, e Makoto Namba. Eles foram presos no dia 29 de janeiro e soltos no último dia 7.  

Confira os nomes dos presos:

Joaquim Pedro de Toledo

Renzo Albieri Guimarães Carvalho

Cristina Heloíza da Silva Malheiros

Artur Bastos Ribeiro

Alexandre de Paula Campanha

Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo

Hélio Márcio Lopes da Cerqueira

Felipe Figueiredo Rocha

O Ministério Público de Minas informou que todos são diretamente envolvidos na segurança e estabilidade da Barragem 1, rompida no dia 25 de janeiro. "As prisões temporárias foram decretadas pelo prazo de 30 dias, tendo em vista fundadas razões de autoria ou participação dos investigados na prática de centenas de crimes de homicídio qualificado, considerados hediondo", diz o MP-MG em nota.

Todos os presos serão ouvidos pelo Ministério Público Estadual, em Belo Horizonte. Também são apurados crimes ambientais e de falsidade ideológica.

Foram, ainda, alvos de busca e apreensão, em São Paulo e Belo Horizonte, quatro funcionários da empresa alemã TÜV SÜD: um diretor, um gerente e dois integrantes do corpo técnico.

Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na sede da empresa VALE, no Rio de Janeiro.

Os documentos e provas apreendidos serão encaminhados ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais para análise.

O rompimento da barragem da Mina Córrego de Feijão, em Brumadinho (MG), deixou até agora 166 mortos e 155 desaparecidos.

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