Atiradores pediram 'dicas' para atacar escola em fórum de propagação de ódio

Na última quinta-feira, um dos atiradores publicou um agradecimento pelos conselhos e orientações

Por O Dia

Luiz Henrique e Guilherme Taucci eram frequentadores do Dogolachan e pediram ajuda para conseguir armas
Luiz Henrique e Guilherme Taucci eram frequentadores do Dogolachan e pediram ajuda para conseguir armas -

Rio - Os atiradores que mataram 8 pessoas e depois se suicidaram na Escola Estadual Raul Brasil em Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, usaram o Dogolachan, maior fórum de propagação de ódio na internet brasileira, para juntar dicas e fazer planos para o ataque, de acordo com o portal de notícias R7

O fórum, que é só acessível na dark net, é conhecido como um local onde são discutidos abertamente a prática de crimes, violação de direitos humanos, propagação de racismo, homofobia e misoginia. Nesta quinta-feira, após o atentado em Suzano membros usaram os chans (fóruns) para celebrar o massacre.

Segundo a reportagem do R7, na última quinta-feira, um dos atiradores supostamente publicou um agradecimento ao administrador do fórum, conhecido como DPR. "Muito obrigado pelos conselhos e orientações, DPR. Esperamos do fundo dos nossos corações não cometer esse ato em vão."

Nesta quarta-feira, em mensagens no Dogolachan, usuários questionavam se os assassinos de 25 e 17 anos eram integrantes do grupo e a resposta dada por um dos administradores foi positiva.

Nas mensagens, o administrador do fórum diz que um deles era conhecido como "luhkrcher666", e o outro como "1guY-55chaN". Ele diz ainda que cortou o contato com um dos atiradores por e-mail pois ele deixava muitos "rastros" digitais, que facilitariam a identificação de todos os membros, de acordo com a reportagem. 

Atirador de Realengo é considerado herói no fórum 

Wellington Menezes de Oliveira, autor do Massacre de Realengo, é considerado herói por membros do fórum. Em 2011, o homem de 23 anos matou 12 crianças e depois tirou a própria vida na Escola Municipal Tasso da Silveira, na Zona Oeste do Rio.

A intenção de Wellington era ferir os meninos e matar as meninas. Um ano após o massacre, a Polícia Federal descobriu que Wellington foi influenciado e incentivado por Marcelo Valle Silveira Mello e Emerson Eduardo Rodrigues Setim, então criadores da comunidade virtual Homini Sanctus, que se tornaria o Dogolachan anos depois.

O fórum era conhecido pelo ódio contra mulheres, além de ser contra qualquer outra minoria. Havia a suspeita de que Wellington fosse um incel — diminutivo da expressão "involuntary celibates", ou celibatários involuntários.

Segundo reportagem da BBC, os incels não são um grupo organizado, mas se reúnem em fóruns de discussões na internet, onde falam sobre sua solidão, sua insegurança ou sobre a frustração por não conseguirem se relacionar. Eles pregam ódio e misoginia, além de culparem as mulheres por sua falta de vida sexual nas mulheres.

Criador do Dogolachan foi o primeiro condenado no Basil por crime de racismo na internet

O Dogolachan foi criado em 2013 pelo hacker Marcelo Valle Silveira Mello. O homem é conhecido por crimes de ódio e foi a primeira pessoa condenada pela Justiça do Brasil por crime de racismo na internet, em 2009. Na ocasião, o homem se posicionou contra as cotas raciais de maneira preconceituosa e foi condenado a um ano e dois meses de prisão.

No ano passado, o fórum foi alvo de uma megaoperação da Polícia Federal para desarticular o grupo e prender os dois criadores do grupo, Emerson Eduardo Rodrigues Setim e Marcelo Valle Silveira Mello. Marcelo foi preso e condenado meses depois a 41 anos, seis meses e 20 dias de prisão por associação criminosa, divulgação de imagens de pedofilia, racismo, coação, incitação ao cometimento de crimes e terrorismo cometidos na internet. Emerson foi foragido. 

 

 

 

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