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Saiba como conversar com seu filho sobre o massacre na escola

Psiquiatra Bruno Palazzo diz que há maneiras ideais para cada faixa etária

Por Nathalia Duarte

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Rio - Impossível ter passado a quarta-feira alheio à notícia do massacre que aconteceu em uma escola de Suzano, em São Paulo. Ter acesso a esse tipo de notícia pode ser traumático para uma criança. O psiquiatra Bruno Palazzo Nazar explica como os pais podem conversar sobre o assunto com os filhos. Há uma maneira ideal para cada faixa etária, mas, primeiro, os responsáveis devem ter seu próprio tempo para absorver o caso. Assim, quando forem falar com os filhos, não deixarão nenhuma opinião afetá-los.

"Se for uma criança com menos de 6 anos, deve-se falar o mínimo. Reduza tudo a uma frase só, explique o menos possível. A criança não vai processar muito, vai passar rápido na mente dela", explica o também professor da pós-graduação em Psiquiatria do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Já para o caso de ser uma criança maior, mais dúvidas irão surgir. Cabe aos pais ter uma conversa franca sobre o que aconteceu, mas com cuidado para não criar muitas imagens na cabeça dos filhos.

"Primeiro é importante estarem em um ambiente calmo, sem distrações. Segundo, você não vai ficar oferecendo tanta informação sem a criança perguntar. Deixe ela mostrar o quanto quer saber. Não precisa dar relatórios em detalhes, você se mostra disponível a dar informação, mas não dê muitas figuras visuais", aconselha.

Segundo ele, para essas crianças também é importante os pais tentarem tirar o foco dos pontos negativos da tragédia: "Em vez de falar que duas pessoas assassinaram, pode-se falar dos que ajudaram, focar nos heróis".

Caso o filho seja adolescente, há uma outra maneira de tratar o ocorrido, pois a pessoa já teve acesso à notícia por meio das redes sociais: "Esse filho já viu detalhes, já está cheio de informação e provavelmente não vai querer conversar com você. Vale a pena chamá-lo para um bate-papo. Caso você perceba que ele está dando opiniões prontas, instigue-o a falar a opinião própria, pergunte para ele quais soluções ele daria para prevenir o caso, para mudar a realidade".

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