Papa reconhece segundo milagre de Irmã Dulce, que será proclamada Santa

Conhecida como 'O anjo bom da Bahia', a beata será a primeira mulher nascida no Brasil a se tornar santa

Por O Dia

Irmã Dulce tem o segundo milagre reconhecido pelo Papa Francisco e vai ser declarada santa
Irmã Dulce tem o segundo milagre reconhecido pelo Papa Francisco e vai ser declarada santa -
Vaticano - O Papa Francisco reconheceu na segunda-feira o segundo milagre intercedido pela irmã Dulce. Conhecida como “O anjo bom da Bahia”, a Beata Dulce Lopes Pontes é recordada por sua obras de caridade e de assistência aos pobres e necessitados. Agora, Irmã Dulce tem dois milagres reconhecidos pelo Vaticano e será a primeira mulher nascida no Brasil a se tornar santa. A informação foi divulgada pelo portal do Vaticano 'Vatican News'.
Religiosa da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, Maria Rita Lopes de Sousa Brito, a Beata Irmã Dulce, nasceu em Salvador em 26 de maio de 1914 e ali faleceu em 22 de maio de 1992. Irmã Dulce foi beatificada em 22 de maio de 2011 e com este decreto será proclamada Santa em breve em solene celebração de canonizações.
A divulgação de que Irmã Dulce foi divulgada hoje pelo portal de notícias do Vaticano. Não foi revelado, no entanto, qual foi o milagre.
O primeiro milagre foi reconhecido em 2001. Foi a cura de uma moradora de Malhador, no interior do Sergipe, que teve uma hemorragia forte e não controlável pós-parto. A paciente passou por três cirurgias em 18 horas sem sucesso no estancamento do sangramento. Após pedir a intercessão de Irmã Dulce, a hemorragia subitamente parou e a paciente se recuperou.
O Vaticano também já reconheceu como santos brasileiros a Madre Paulina, nascida na Itália e canonizada em 2002, o Frei Galvão (2007), o padre José de Anchieta (2014) e os 30 mártires assassinados no século 17 no Rio Grande do Norte (2017).
A vida de Irmã Dulce
Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes foi a segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes, professor da Faculdade de Odontologia, e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, em Salvador, na Bahia. A menina Maria Rita foi uma criança cheia de alegria, adorava brincar de boneca, empinar pipa e tinha especial predileção pelo futebol - era torcedora do Esporte Clube Ypiranga, time formado pela classe trabalhadora e os excluídos sociais. As informações são do complexo de saúde Obras Sociais Irmã Dulce, fundado por ela.
A vocação para trabalhar em benefício da população carente teve a influência direta da família, uma herança do pai que ela levou adiante, com o apoio decisivo da irmã, Dulcinha. Aos 13 anos, Irmã Dulce passou a acolher moradores de rua e doentes em sua casa, transformando a residência da família em um centro de atendimento. A casa ficou conhecida como ‘A Portaria de São Francisco’, tal o número de carentes que se aglomeravam a sua porta. Também é nessa época que ela manifesta pela primeira vez, após visitar com uma tia áreas onde habitavam pessoas pobres, o desejo de se dedicar à vida religiosa.
Em 1939, Irmã Dulce invadiu cinco casas na Ilha dos Ratos, para abrigar doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Ela foi expulsa do lugar e peregrinou durante uma década, levando os seus doentes por vários locais da cidade. Por fim, em 1949, Irmã Dulce ocupa um galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio, após autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. A iniciativa deu origem à tradição propagada há décadas pelo povo baiano de que a freira construiu o maior hospital da Bahia a partir de um simples galinheiro. Já em 1959, é instalada oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce e no ano seguinte é inaugurado o Albergue Santo Antônio.
Irmã Dulce criou um dos maiores complexos de saúde com serviço gratuito do Brasil, que atualmente faz, em média, 3,5 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano.
Em 1988, ela foi indicada pelo então presidente da República, José Sarney, com o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia, para o Prêmio Nobel da Paz. Oito anos antes, no dia 7 de julho de 1990, Irmã Dulce ouvia do Papa João Paulo II, na sua primeira visita ao país, o incentivo para prosseguir com a sua obra.
Irmã Dulce e o Papa João Paulo II voltariam a se encontrar em 20 de outubro de 1991, na segunda visita do Sumo Pontífice ao Brasil. João Paulo II fez questão de quebrar o rigor da sua agenda e foi ao Convento Santo Antônio visitar a religiosa baiana, cuja saúde já se encontrava bastante debilitada em função de problemas respiratórios. Cinco meses depois da visita do Papa, os baianos chorariam a morte do Anjo Bom do Brasil.
A religiosa morreu em 13 de março de 1992, pouco tempo antes de completar 78 anos. No velório, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador, políticos, empresários, artistas, se misturavam a dor de milhares de pessoas simples e anônimas. A fragilidade com que viveu os últimos 30 anos da sua vida – tinha 70% da capacidade respiratória comprometida - não impediu que ela construísse e mantivesse uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país, uma verdadeira obra de amor aos pobres e doentes.

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