Brumadinho: Jovem que escapou da tragédia sofre com depressão e passa por dificuldades

Evandro, que sumiu por três meses com medo da perseguição do pai por causa da sua orientação sexual, conta com a solidariedade dos amigos para sobreviver. Namorado dele abriu campanha para arrecadar doações

Por O Dia *

Evandro (de listrado) e Edemilson (de preto) junto à Dona Ana Lucia Santos
Evandro (de listrado) e Edemilson (de preto) junto à Dona Ana Lucia Santos -
Brasília - O catarinense Evandro Hamann Schwirkowsky, que figurou na lista dos desaparecidos na tragédia de Brumadinho (MG) por três meses, agora sofre com a depressão e com as dificuldades financeiras. O jovem de 23 anos, que passou pela cidade mineira para procurar emprego uma hora antes da maior tragédia ambiental do país, optou por seguir no anonimato por medo da perseguição do próprio pai, por causa da sua orientação sexual. Ele agora depende da arrecadação de uma vaquinha online para tratar a doença e construir uma casa para morar com o namorado. O casal está desempregado e mora nos fundos do imóvel de uma amiga na Ilha de Itaparica, em Salvador (BA). As doações podem ser feitas pelo site https://www.vakinha.com.br/vaquinha/578645.
O rompimento da barragem da mineradora Vale, que ocorreu no dia 25 de janeiro deste ano, deixou mais de 230 mortos e 46 desaparecidos embaixo do mar de lama. Mas o drama de Evandro veio à tona no mês passado. Na época, o jovem concedeu entrevista exclusiva ao DIA. A vaquinha virtual foi criada no dia 15 deste mês por Edemilson de Jesus Silva, namorado de Evandro. Entretanto, nenhum valor foi arrecadado até agora. 
O casal depende da ajuda da comerciante Ana Lucia Santos Bastos, que cedeu a eles o 'quartinho da bagunça'. Ela ainda os ajuda nas despesas com alimentação e deslocamentos. "Não tenho condições de ficar sustentando eles. Mas a gente faz o que pode", disse. Edemilson teme que o estado de saúde do companheiro se agrave.
Evandro foi diagnosticado com depressão em junho de 2018, quando a avó paterna faleceu. Mas a doença se agravou em fevereiro deste ano com a morte do avô. Para piorar a situação, o jovem começou a sentir fortes dores. Há, ainda, a suspeita de um câncer no intestino. Com fortes dores, Evandro precisa tomar medicamentos para dormir. "A gente não tem perspectiva", lamentou Edemilson.
Terreno para a casa
Segundo Edemilson, um rapaz que o casal conheceu recentemente chegou a ceder um terreno de aproximadamente 200 metros quadrados para que eles construam uma casa em troca de um trabalho de limpeza no espaço. Mas isso só poderá ser feito se eles conseguirem doações para bancar as despesas com material de construção.
*Estagiária sob supervisão de Herculano Barreto Filho

Comentários