Ex-presidente de parque mantém oito funcionários em cárcere privado

Após sessão de tortura mental e humilhação, o executivo demitiu os profissionais de forma sumária

Por O Dia

José David Xavier
José David Xavier -
São Paulo - O ex-presidente de um parque de diversão, José David Breviglieri Xavier, está sendo acusado de ter praticado o crime de cárcere privado. Oito antigos funcionários acusam 'João de Deus', apelido que ganhou nas redes sociais pelo assedio moral contra os funcionários, de ter mantido as vítimas ‘trancadas’ em um banheiro por mais de seis horas, sem comida, água e sem poder se comunicar com ninguém.

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José David Xavier Reprodução
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José Luiz Abdalla teria recebido recursos desviados de José David Xavier Reprodução
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“Foram momentos de terror que vivemos naquele dia. Ele gritava com a gente a todo instante e dizia que iríamos pagar muito caro porque havíamos defendido um colega que havia sido mandado embora. Pensamos no pior”, recorda uma das vítimas, que promete levar a denúncia para o Ministério Público Estadual de São Paulo.
“É uma questão honra. Adorava trabalhar no parque. Mas esse homem fez a gente passar pelos maiores pesadelos e humilhações que sofremos em nossas vidas. Estou a base do remédio até hoje”, completou.
Os oito ex-funcionários do parque de diversão foram convocados para reunião no final de 2018. Achavam que fosse mais um encontro rotineiro para planejar metas, cronogramas e projetos para o centro de entretenimento. Mas o que era para ser um encontro casual acabou se transformando em um pesadelo para os profissionais do parque.
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Assim que chegaram para reunião, os colaborados tiveram seus aparelhos celulares confiscados pelos seguranças do parque. Em seguida, todos foram ‘convidados’ a irem para o banheiro, próximo à administração do parque.

A partir desse momento, a ordem era para que os oito funcionários não conversassem mais entre si. “Ninguém podia mais falar com ninguém a partir daquele instante. Fomos torturados psicologicamente. O David gritava com a gente como se fôssemos cachorros”, recorda uma outra vítima.
Protegido por seus capangas, o ex-presidente dizia que ninguém poderia mais abrir a boca enquanto ele falava. Após a sessão de tortura mental e humilhação, o executivo demitiu os oito profissionais de forma sumária.

“Ficamos calados porque todo mundo precisava do dinheiro da rescisão para pagar as contas. Agora que o tempo passou, estamos pensando em entrar com uma ação coletiva na Justiça contra ele”, completou a vítima.

Segundo relatos levantados pela reportagem, o motivo que teria provocado a ira de de José David foi porque esses funcionários saíram em defesa de um colega nas redes sociais, que teria sido demitido de forma injusta pelo antigo presidente do parque. “Não podíamos externar nossa opinião pra nada. Lá imperava uma ditadura. Graças a Deus ele foi afastado e o parque me parece que está tendo um bom momento”.
Mas não era uma exclusividade de José David resolver suas diferenças na base do terrorismo. Em 1980 quando ainda nem existia a Lei Maria da Penha, que protege as mulheres de agressão covarde de homens e ex-maridos, o empresário José Luiz Abdalla, que colocou José David à frente do parque de diversão, foi acusado de praticar o crime de lesão corporal (artigo 129).
O caso foi registrado na época, no 4º Distrito Policial de São Paulo, na Rua da Consolação. Na época, Abdalla não tinha nem 20 anos de idade, mas já demonstrava uma faceta obscura, a exemplo do que acontece nos dias de hoje. O boletim de ocorrência, número 1119/1980, ainda escrito a mão – nos idos dos anos 80 a polícia ainda não era informatizada -, registra que Abdalla teria agredido uma mulher de 67 anos de idade. Uma agressão covarde contra uma idosa.

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