Após ataques, Ceará transfere mais de 250 presos

Governador Camilo Santana deixou claro que não irá ceder às vontades dos bandidos

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Criminosos colocaram fogo em concessionária de Fortaleza
Criminosos colocaram fogo em concessionária de Fortaleza -
Ceará - Após cinco dias com 38 ataques a ônibus, carros e caminhões nas ruas, o Ceará prendeu 31 suspeitos e transferiu 257 detentos supostamente ligados à facção criminosa que ordenou o vandalismo. Em Fortaleza, o transporte público circula com frota reduzida e escolta policial por causa da onda de violência. O governador Camilo Santana (PT) já disse que não vai ceder às vontades dos bandidos.

O governo cearense atribui os ataques a uma reação ao enfrentamento ao crime organizado no Estado. Nas redes sociais, Camilo Santana afirmou que "a possibilidade do retorno às regalias nos presídios é zero" e informou que reuniu a cúpula da Segurança Pública para tratar dos atos criminosos. Conforme o Estado, o contingente policial foi reforçado nos últimos dias, com retorno às atividades de agentes que estavam de férias e a suspensão de cursos.

Além das ações criminosas na capital, houve registro de crimes em cinco municípios: Canindé, Quixadá, Quixeramobim, Paracuru e Jucás. Já na capital, ainda na manhã desta terça-feira, 24, bandidos atearam fogo a uma concessionária de carros no bairro Dunas. É a segunda vez que essa mesma concessionária sofre com os ataques deste ano. Na capital, aliás, o sentimento é de revolta. Na manhã desta terça, quem precisou do transporte público para se locomover se deparou com dificuldades nos terminais e nos pontos de ônibus. Por causa dos ataques criminosos, a frota dos ônibus urbanos foi reduzida a 70% - e parte circula com escolta policial.

Para o especialista em segurança pública Luiz Fabio Paiva, os novos ataques são reflexo de um problema já consolidado no Estado, desde 2016, com o advento das facções. "Não é um problema pontual. É um problema sistêmico de segurança pública do Estado do Ceará. Em alguns momentos, o resultado desse sistema é mais intenso, como os ataques do começo do ano; em outros, menos intensos, como os que estão acontecendo agora." Segundo ele, o ideal seria mudar estratégias focando sobretudo em ações com jovens, "que encontram nesses grupos uma maneira de ter um projeto de vida". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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