'Prender demais é fornecer mão de obra barata para o PCC', diz Gilmar Mendes

Em entrevista, ministro do Supremo criticou o superencarceramento de presos no Brasil, que tem a terceira maior população carcerária do mundo

Por Isto É

Gilmar Mendes
Gilmar Mendes -
Brasília - Gilmar Mendes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu entrevista ao UOL , em seu gabinete, em Brasília, e falou sobre o superencarceramento de presos no Brasil, que acaba alimentando facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital).

“Se nós insistirmos nesse encarceramento sistemático, no quadro atual, em que os presídios estão dominados pelas grandes organizações criminosas, nós estaremos fornecendo mão de obra baratíssima para essa gente”, disse.

Ainda na entrevista, ele afirma que até quem cumpre punições curtas acaba se tornando útil para as facções ao sair da cadeia. “Muitas vezes eles já sabem que essas pessoas estão cumprindo um período curto de prisão, portanto são cooptados para, depois, cumprirem missões mais destacadas de fora”, afirmou.

Em 2017, o Brasil contava com 726 mil presos, tendo gastado R$ 15,8 bilhões neste período para manter o sistema. Atualmente, o país tem a terceira maior população carcerária do planeta. “É um campeonato que a gente não quer ganhar”, analisou Gilmar . “E no momento em que os Estados Unidos, que têm uma liderança nesse campo, começam a rever essa política de encarceramento sistemático”, completou.
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