Ataque deixa dois índios mortos no Maranhão

Índios da etnia Guajajara morreram após terem sido atacados neste sábado às margens da rodovia BR-226. O ministro Sérgio Moro informou no Twitter que a Polícia Federal foi enviada para investigar o crime e suas motivações, e é estudado o envio da Força Nacional

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Após o atentado e mortes, índios fizeram protesto e bloquearam a BR-226 no Maranhão
Após o atentado e mortes, índios fizeram protesto e bloquearam a BR-226 no Maranhão -
Rio - Dois índios da etnia Guajajara morreram após terem sido atacados neste sábado às margens da rodovia BR-226, localizada no município de Jenipapo dos Vieiras, no Maranhão, 500 quilômetros ao sul da capital São Luís. As mortes foram confirmadas pela Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular do Estado.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, informou no Twitter que a equipe da Polícia Federal foi enviada ao local para investigar o crime e suas motivações. "Vamos avaliar a viabilidade do envio de equipe da Força Nacional à região. Nossa solidariedade às vítimas e aos seus familiares", escreveu.

Procurada, a Funai informou que lamenta o ocorrido na Terra Indígena Cana Brava, próxima da Aldeia El-Betel. A instituição afirmou que os indígenas foram atingidos por tiros vindos de um veículo Celta, de cor branca e com vidros espelhados. A equipe da Funai está na região, assim como a da Secretaria de Segurança Pública e da Secretaria de Estado de Direitos Humanos.

Como forma de protesto, os indígenas interditaram a rodovia nos dois sentidos e a passagem de veículos foi bloqueada. A líder indígena Sônia Guajajara escreveu em uma rede social dizendo que é preciso acabar com os ataques contra indígenas. "Basta de vítimas, não queremos mártires, queremos vozes vivas".

Em novembro, o líder indígena Paulo Paulino Guajajara foi alvo de uma emboscada de madeireiros na reserva Arariboia. Naquele mês, o jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o Ministério Público Federal (MPF) pede na Justiça que as autoridades tomem providências para evitar mortes de índios "guardiães da floresta" como Paulo Paulino Guajajara. Atualmente existem ao menos quatro "guardiães" sob ameaça de morte na área indígena onde ocorreu o crime e outros 20 em todo o Estado.
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