Exame de DNA identifica corpo de menino Bernardo, morto pelo próprio pai

Funcionário do metrô do Distrito Federal, Paulo Roberto confessou o crime no último dia 2, quando foi encontrado pela polícia em rota de fuga, em um hotel de Alagoinhas, na Bahia

Por MH

Corpo de Bernardo será transferido para o Distrito Federal, onde será enterrado
Corpo de Bernardo será transferido para o Distrito Federal, onde será enterrado -
Um exame de DNA confirmou que o corpo encontrado em uma rodovia da Bahia pertencia a Bernardo Osório, de 1 ano e 11 meses, que foi assassinado pelo próprio pai. A perícia foi realizada pelo Instituto de Pesquisa de DNA Forense do Distrito Federal (IPDNA) no sábado. Após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil do Distrito Federal também confirmou que Paulo Roberto de Caldas Osório, funcionário do metrô do Distrito Federal, matou o filho dentro de sua casa, na Asa Sul, em 29 de novembro, mesma data em que o sequestrou.

Paulo Roberto confessou o crime no último dia 2, quando foi encontrado pela polícia em rota de fuga, em um hotel de Alagoinhas (BA), e autuado em flagrante. Bernardo estava desaparecido desde o dia 29, sexta-feira, quando Paulo Roberto o sequestrou após buscá-lo na creche. No mesmo dia, dopou a criança com três comprimidos diluídos em suco de uva, segundo a confissão. Em seguida, o criminoso enviou para a mãe de Bernardo áudios e mensagens em que revelava ter desavenças com ela e a mãe dela.

"Sua mãe é arrogante, metida a besta, que acha que só porque tem dinheiro pode fazer e acontecer na vida dos outros. Eu falei desde o início pra você que, se você aprontasse comigo, na minha vida, a saia da sua mãe não ia te proteger", disse ele em áudio obtido pela Polícia Civil. "Tomei ódio principalmente da sua mãe, das merdas que ela fez na minha vida. Vocês nunca mais vão ver o Bernardo."

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Leonardo Ritt, Paulo Roberto enfrentava "restrições" para se aproximar da criança, o que teria motivado o sequestro.

O criminoso disse à polícia que não tinha a intenção inicial de matar o menino, mas de "assustar a mãe e a avó da criança", e esperava que Bernardo apenas adormeceria. Ele alegou também que já estava em viagem quando descobriu que Bernardo estava morto. No entanto, as investigações da Polícia Civil confirmaram que Paulo Roberto matou o menino em sua própria casa, em Brasília, antes partir em fuga para a Bahia. A polícia encontrou manchas na cama onde Paulo Roberto o teria posto para dormir.

Em depoimento, Paulo Roberto declarou que havia abandonado o corpo de Bernardo "na estrada" durante uma tempestade, após avistar um trecho de mato alto. A polícia encontrou um cadáver na zona rural de Palmeiras, na Chapada Diamantina (BA), a cerca de mil quilômetros do endereço de Paulo Roberto em Brasília. Ao identificar a cadeirinha e o colar de âmbar que o menino usava, os policiais recolheram o corpo, suspeitando que se tratava de Bernardo — embora Paulo Roberto tivesse trocado as roupas do menino com o intuito de despistar a polícia. Os primeiros exames, realizados na Bahia, foram inconclusivos, dado o avançado estado de decomposição do corpo. Os restos mortais foram enviados, então, para o Distrito Federal, onde foram reconhecidos por exame de DNA.

Paulo Roberto teve a prisão preventiva decretada no último dia 4, após audiência de custódia, e ficará na cadeia por tempo indeterminado. "Cuida-se de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver, que o autuado teria cometido contra o próprio filho, criança de 1 ano e 11 meses de idade", disse o juiz.

Quando tinha 18 anos, Paulo Roberto matou a própria mãe. Devido ao diagnóstico de esquizofrenia, ele foi considerado inimputável, e por isso foi internado na ala psiquiátrica do presídio de Papuda, em Brasília, onde ficou por dez anos. O crime aconteceu na mesma casa onde Bernardo foi morto, na 712 Sul, no Distrito Federal. Após a confissão de Paulo Roberto, a Justiça do DF resolveu desarquivar o caso.

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